Todos os artigos de Sidnei

Estórias da carochinha

Não sei se hoje em dia, as crianças ainda acreditam naquelas narrativas que pais inseguros inventam para se livrar da curiosidade infantil sobre o nascimento dos bebês. A mais antiga e comum para ser aplicada naquela faixa etária entre 5 e 8 anos é a conhecida fábula da Cegonha, coisa que os estúdios Disney ajudaram a difundir.


A segunda narrativa, ainda em vigor,  pelas mesmas razões anteriores, insegurança dos pais,  mas já introduzindo uma pitada de sexualidade, o que convenhamos,  apenas aguça ainda mais a  imaginação infantil já tão fértil por natureza;  é aquela que o papai planta uma sementinha no corpo da mamãe e aqui tem início as tão necessárias lições de anatomia.

A terceira narrativa,  adotada depois da invenção dos computadores pessoais por uma parcela mais descolada da população,  afirma com igual naturalidade que o papai espeta o seu Pendrive na porta USB da mamãe. “Qui nem” aquelas naves espaciais acoplando na estação espacial.

Então, as vezes, sem ter mesmo digerido todas estas informações, que vamos repetir para nossos filhos como uma atávica herança ancestral, uma nova narrativa é introduzida no roteiro que é composto de apenas dois capítulos:  Vida e Morte.

A pergunta que não quer calar e vai nos acompanhar até o fim dos nossos dias é: – Para onde vamos quando morremos e, a resposta inevitável dos pais pela mesma insegurança é ,de que,  vamos para o céu;  se tivermos um bom comportamento moral e social e aqui somos introduzidos no campo das teologias e filosofias e, a tese da reencarnação ganha grande popularidade e, chegamos aonde estamos sem saber pra onde vamos e, o quando vamos, aqui,  começa a ter mais importância que o,  como vamos voltar . Por mim eu acredito que querer é poder e assim eu quero voltar com o corpito do Brad Pitt (aquele que exibiu no filme “Tróia”), eu, contracenando com a Natalie Portman ,  a Penélope Cruz e a Scarlet Johansson.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

O leite só derrama quando a gente não tá olhando…

Acho que esta sábia reflexão,  nasceu depois daquela outra, de caráter mais religioso:  – Orai e vigiai!

Só nos damos conta disso e paramos para refletir do valor das coisas quando as perdemos ou faltam,  como por exemplo a luz, a água, os serviços públicos como a limpeza das ruas.

A luz, por exemplo, antes a gente ficava apenas no escuro, coisa que uma vela aqui, um lampião acolá, uma lanterna ali, amenizava a escuridão. Hoje você fica sem geladeira, micro ondas, televisão e internet, o que acelera nossos batimentos cardíacos e eleva nosso estado de ansiedade.

A reflexão se aprofunda quando começamos a falar de, gente como a gente,  de relacionamentos parentais e afetivos, homem e mulher e amigos.

Até então,  tratamos estes relacionamentos como se fossem parte de um contrato que jamais seria quebrado. Como o sentimento de uma grande parte dos jovens em relação a vida. Alguns até patéticamente tentam imitar algumas figuras como Reis, Rainhas da cocada e Ditadores de plantão ( não é impressionante como estas patéticas figuras,  ainda existem?) que acreditam exercer um poder por direito e concessão divina.

Vamos pois,  fazer o nosso exercício diário,  de capinar os nossos canteiros,  para que nossa alma não tenha mais está aparência suja de um terreno baldio.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Esse tal de Futebol

No meu tempo e, de muitos outros que a seu tempo, viveram alguns, assistiram outros, gloriosos momentos do futebol, não havia tantas competições, mas sim torneios em campos profissionais e de várzea onde antes do jogo os dois times se perfilavam naquelas fotos clássicas que emolduram paredes e álbum de figurinhas: 6 em pé  de braços cruzados normalmente, o goleiro e os zagueiros  e,  na frente agachados,  os atacantes.

Hoje às fotos são tiradas só ao fim do jogo,  quando o capitão do time ergue a taça junto com a comissão técnica,  os diretores e o presidente do clube em pessoa,  igual ( eu queria falar “qui nem”, mas parece que esta expressão não existe e,  ou não deve ser usada para não ferir os delicados ouvidos dos professores de português ) aqueles proprietários de cavalos no jóquei posando na foto da vitória .

Tudo isso para afirmar aquilo que vocês já sabem, e os comentaristas não se cansam de comentar. O futebol mudou ou mudamos nós?

No intervalo do jogo,  quando um jogador de cada time que se destacou é chamado para uma rápida entrevista com o repórter de campo, o que escutamos? – A gente teve uma desatenção e o time deles é muito qualificado então vamos ver o que o professor vai falar pra gente virar o jogo.

Independente do resultado,  ao final do jogo o repórter de campo pergunta ao mesmo jogador: – O que foi que o professor disse?
– Ele falou: quanto mais a gente tiver a posse de bola mais o time deles vai correr e se desgastar; portanto vamos caprichar no passe,  na hora de finalizar e colocar em prática todas as jogadas ensaiadas nos treinos e finalizando a preleção sempre com uma citação de Neném Prancha; – Treino é treino e jogo é jogo;   futebol é bola na rede e vale gol de qualquer jeito desde que o Juiz e, agora o Var validem.

Respondendo então a pergunta inicial: o que mudou? Mal se distingue na camisa do clube o seu escudo diante de tantas marcas estampadas. O cabelo dos atletas merece um capítulo a parte. Basta um destes medalhões, esses candidatos a melhor do mundo cortar o cabelo e pronto: – lançam moda e tendências. Agora é meio moicano, meio não sei o que. E nem precisamos falar das chuteiras coloridas algumas dupla face,  um pé rosa outro laranja.

Encerrando então essa resenha, tipo assim, troca de passes,  cheguei a casa de um amigo alienado que só assiste jogo de futebol americano e estava assistindo um jogo de futebol.

Perguntei: quem está jogando,?

– Ele respondeu: BANRISUL X BANRISUL

Era um Grenal,  minha gente.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Bye Bye Brasil

Eu estava inquieto no meu canto, como disse a Adriana Calcanhoto em um DVD documentário, quando começou a circular, (o pessoal mais descolado, os Youtubers chamam de bombar) , nas redes, um texto do Carpinejar, escritor gaúcho, falando sobre o BBB. E para botar os pingos nos ís,  as vírgulas no lugar, esta indefectível sigla não se refere ao filme “Bye Bye Brasil”de Cacá Diegues,  com José Wilker,  Fábio Junior, Betty Faria e trilha sonora do Chico Buarque, Roberto Menescal e Dominguinhos.

Perceberam quantas informações culturais foram passadas nestas poucas linhas? Será que já posso me considerar um Influencer Digital?
Imaginem então, ler “As cem melhores crônicas Brasileiras” do Joaquim Ferreira dos Santos. Um paisano acaba a leitura ouvindo aquelas vozes sabotadoras: –   Este negócio de escrever não é pra você, vai procurar uma roça pra capinar ou trabalhar em banco 8 horas por dia.
Mal sabem elas, as vozes, que me aposentei como bancário, após 36 anos de bons serviços prestados, portanto tenho todo o tempo do mundo e não são elas que vão me desanimar.

Não estou aqui para convencer vocês meus queridos e fiéis leitores qual Rede, emissora de Tv, vocês devem assistir. E olha que eu tenho um imenso material para convencer qualquer ser humano que se preze para não assistir nenhuma. E começaria com o meu melhor argumento que na verdade ouvi alguém falar:  – A televisão é um portal para emoções negativas. Mas parto do pressuposto de que todos vocês são maiores de idade, e vacinados, isto é, aprenderam a usar o controle remoto.

Leiam o texto e vejam o filme e depois me digam o que valeu mais a pena. Em bom português, qual deles fez sua alma dançar e com vontade de sair por aí cantando a alegria de viver.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

A Janela de Shirley

Hoje, a Shirloca e apenas alguns da família podem usar este apelido carinhoso e, eu particularmente, porque ela é a única que me chama de Sidoca. Cumpleãnos como eu gosto de falar. 84 anos.

Em New York , em seu apartamento, a Laura disse para mim e para Tânia:. A paixão da minha mãe é cuidar da família. Coisa que a família toda, dos avós até os sobrinhos  netos podem testemunhar.

Tua estória de vida daria um belo filme com enredo de contos de fada. Que em nada,ficaria a dever a Gata Borralheira ou Cinderela. E pelo que pude observar e me beneficiar da tua generosidade, seria muito inspirador.

Se algum dia você decidir gravar suas memórias eu teria um prazer imenso em escrever.

Por enquanto a família Wyse com todos os agregados continuará cantando em prosa e verso, de boca em boca,  de geração em geração, os teus generosos legados.

Feliz aniversário!

Por: adolfo.wyse@gmail.com

O Andar de Cima

Transcender significa a grosso modo, isto é, sem consultar literalmente o Aurélio, atingir, alcançar, elevar-se ao andar de cima sem fazer uso dos elevadores principal ou de serviço e esse apartheid já denuncia uma divisão de classe muito mais antiga do que imagina a nossa vã filosofia.

O andar de cima é uma metáfora, do que seria onde moram os Deuses, o Panteon como queriam os Gregos.

Mas existe uma corrente muito forte, aliás, pilar de sustentação de algumas religiões que diz que só existe uma divindade e acrescenta: – Somos feitos cada um de nós a sua imagem e semelhança e que por isto mesmo Deus está em toda parte.

Partindo desta premissa não é difícil acreditar nas palavras de Júlio Cortazar quando disse: Os Deuses estão aqui embaixo mesmo. morando onde moram os homens, os ricos e os pobres, condomínios fechados e barracos a céu aberto.

Desde que eu aprendi o abcd , ouvi falar que tudo começou quando Adão e Eva pularam a cerca do paraíso. Daí a formação das tribos foi um pulo e, foi quando o Grande Síndico resolveu terceirizar os serviços criando a casta dos anjos.

Que só se pode pertencer por meritocracia e, que habitam este andar de baixo disfarçados como seres humanos.

Conheci alguns. E a partir daí passei a olhar com mais atenção para quem está perto. A família, os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Gêmeos

Gêmeos

Reza a lenda,  e uma certidão de nascimento atesta com firma reconhecida em cartório, que no dia 22 de janeiro de 1950 às 11: 15 minutos, com uma margem de erro de uns 10 minutos pra mais ou pra menos, no Hospital da Beneficência Portuguesa de Rio Grande, nasceram os gêmeos Adolfo e José e digo apenas o primeiro nome porque eram os nomes dos avós paternos  e maternos respectivamente e depois ficaram conhecidos com os apelidos dados pela família. Zeca e   Sida.


Um nasceu com 1 kg e o outro com 900 Gramas. E não tem nenhuma relevância aqui saber quem pesava mais ou nasceu primeiro, não é mesmo?
Relevante mesmo foi a equipe médica chegar pra Dona Amália e o Velho Wilson e dizer:  – Precisamos batizar os meninos para o caso deles não vingarem
!


Assim ganhamos o primeiro padrinho de batismo: Dr. Brum.
Graças a  Deus,  todas as previsões não vingaram e estamos hoje aqui firmes e fortes celebrando nosso aniversário, que eu gosto de falar em espanhol Cumpleaños,  ao invés do inglês Birthday, o que é uma bobagem.

O fato de não sermos gêmeos idênticos nos poupou daqueles horríveis concursos de beleza., e de usarmos a roupa igual, quando no caso dos gêmeos idênticos deveria ser  o contrário, exatamente para se identificar quem é quem.


Feliz aniversário Zeca. Que o poder superior nos permita chegar ao 4 quarto com saúde , muita saúde, como se o tempo estivesse sendo contado como no Basquete, cada tempo aqui, medindo 25 anos.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Memórias Bancárias

Quando eu trabalhei em Porto Alegre por um ano, no Banco de Crédito Real de Minas Gerais, ouvi do Gerente Geral em uma daquelas reuniões administrativas: – Vocês estão vendo estas pilastras que sustentam o edifício? – Vocês vão passar,  mas elas estarão sempre aí.

As pilastras devem continuar lá,  mas a Instituição não existe mais;  a exemplo do Banco Mineiro do Oeste onde tive meu primeiro emprego  como bancário, já na área de câmbio, que foi engolido pelo Bradesco que já iniciava a sua expansão seguindo e aplicando os conceitos da cadeia alimentar.

Neste mesmo Banco ( de Crédito Real)  tive uma lição que muito me ajudou profissionalmente . Eu era responsável por arquivar os extratos dos bancos estrangeiros. Um dia eu estava arquivando,  isto é,  jogando todos os extratos dentro do arquivo de aço com várias pastas suspensas quando ele me disse: – Se você colocar agora cada extrato na sua pasta correspondente amanhã quando você precisar não vai ficar perdendo tempo procurando.

O nome dele era Lauro. Era um homem magro, elegante e sereno. Só muito mais tarde fui perceber a sua espiritualidade quando sacou que eu estava passando por maus momentos

Um dia ele me disse também que, quando as firmas exportadoras de calçados,  principalmente,  que tinham contratos com o banco, convidavam o Gerente de câmbio para os churrascos de fim de semana era um grande sinal de calote  à vista.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Literatura -José Saramago

Literatura

Vou partir do pressuposto de que os que vierem a ler este texto o fazem por gostar de literatura de maneira geral e de José Saramago, muito em particular.

Os que vieram acidentalmente ou automaticamente porque o amigo seguidor do fulano, compartilhou com o sicrano e nunca ouviram falar do autor apesar do Prêmio Nobel de literatura na bagagem; ou o que é pior, acreditam se tratar de um famoso jogador de futebol português, parece que do Benfica;  estes terão a oportunidade se tiverem um mínimo de curiosidade e mente aberta de elevar seus corações e mentes por mares nunca dantes navegados, que esta é uma das principais função da literatura.

O primeiro livro dele que eu li foi “Todos os Nomes” e já fiquei pegado pelo seu estilo,  de entre um parágrafo e outro ou mesmo dentro, depois de descrever uma ação das mais cotidianas soltar uma frase que você vai guardar para a sua vida.

Depois veio o : “Deste mundo e do outro” uma coleção de crônicas onde está uma que eu destaco como uma das mais lindas que eu já li, e que extraí e coloquei no meu site na página dedicada a ele e que se chama “A Cidade”.

Outro texto que sempre me emociona é “Carta a Josefa – minha vó.”

O livro Ensaio sobre a Cegueira passou a ser o mais conhecido e comentado graças ao grande sucesso do filme com consagrados atores internacionais e a direção do brasileiro Fernando Meirelles.

Gostei muito também do “O ano da morte de Ricardo Reis”, o “Memorial do Convento” e do “Ensaio sobre a Lucidez”.

Tem o livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo” que é polêmico e perturbador exatamente porque trata do maior símbolo do Cristianismo e que só não foram queimados, livro e autor, porque a Inquisição acabou,  não é?

Os únicos livros que eu não li, foram “Os Cadernos de Lanzarote”.
Dia 22 faço aniversário . Se algum dos meus generosos amigos quiser me surpreender, o endereço é Amazon.com, o melhor, mais barato e mais rápido serviço de entrega.

O Advogado do Diabo

Todo mundo tem seus medos, adquiridos durante a infância e alguns permanecem intocados, apesar de termos passado de fase, como se diz nos vídeos games.

O medo do escuro ou terrores da noite, por exemplo, eu combati fechando os olhos e fingindo de morto. Depois vem os medos morais, a maioria frutos de uma rígida escola religiosa que desde cedo nos assombra com os cenários mais horríveis do que seria o inferno.

Estes me acompanharam por um bom tempo, exatamente na proporção inversa, afinal eu não era nenhum modelo que levava uma vida santificada, muito pelo contrário, levava uma vida desregrada. me refastelando no sexo, fumando, bebendo. e outras compulsões que não posso mencionar sob pena de arruinar a boa reputação que gozo como bom pai de família.


Me pelava de medo, como se diz lá no sul, para não usar outro verbo de um calão mais baixo, quando ouvia o nome: Diabo. E ele tem muitos apelidos. Capeta, Demônio, Coisa Ruim e etc…

Um dia, na cidade do Rio de Janeiro. para ser mais exato, no largo da Carioca, o Carlinhos ( RIP) um apontador de jogo do bicho, mixto de filósofo e drogado, me disse na Prataforma do Metrô: _ O Diabo não faz nada se Deus não quiser.

A partir daí todo o meu medo foi embora. Depois disto consegui assistir ao filme “O Advogado do Diabo” com Al Pacino e Keanu Reeves, um dos filmes mais perturbadores que já assisti.