Arquivo mensal: Abril 2023

Bodas de Prata Dourada

Hoje fazem 42 anos que firmamos perante Deus e o público, o contrato de nosso romance, onde passamos a ser oficial e legalmente, um casal.

Quem não nos conhece pode pensar: Que bacana, com 50 % do esforço de cada um, chegaram até aqui, juntos. Preciso confessar que a Tânia é 80% responsável por esta conquista.

No dia 21 de Março, de 2021,  dia do aniversário dela, vocês vão encontrar uma declaração de amor completa em um post, com o título: Sobre Isso … O Amor,  na sala de redação do O Correio da Tijuca, site http://acasadosolnascente.com.br/sobre-isso-o-amor/

Agradecemos todos os dias por nesse tempo todo, nenhum dos dois, precisar pendurar na porta, aquelas placas / tabuletas  muito comuns em casas comerciais, que não suportaram as pressões do mercado,  onde se lê : agora sob nova direção.

Como eu sou um eterno romântico invertebrado, isto é, de carne e osso, na playlist do dia não vai faltar Caetano cantando Minha Mulher e Eu sei que vou te amar e outras.

PS: quanto aquele sexo selvagem da sessão da tarde, só após o cardiologista liberar.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Do “vale o escrito”aos contratos quebrados, passando pelas letras miúdas.

Antes de mais nada é preciso estabelecer uma linha do tempo, tipo A/C e D/C. (Sendo C = COVID).

Pela minha experiência pessoal os contratos de aluguel, os reajustes dos planos de saúde sempre foram negociados dentro dos índices estabelecidos por lei e sob o olhar de uma agência reguladora, no caso dos planos de saúde.

Um abuso aqui outro ali, mas a coisa se resolvia em última instância na justiça, que está aí pra isso, resolver pendências e dar trabalho aos advogados.

D/C por motivo de uma força maior, os contratos de aluguel principalmente foram quebrados afetando as duas partes: inquilinos e proprietários. Os primeiros pela perda do emprego e ou diminuição do salário.

De modo que hoje, não sei se em todos os países, na hora da renovação dos contratos ou no meio mesmo, os proprietários estipulam o aumento que querem sem nenhum olhar regulador, devido a alta procura.
Ouvi dizer de uma fonte fidedigna que na Austrália a coisa tá assim: – Pessoas indo morar em vans ou trailers por não conseguirem pagar seus alugueis. E vocês achando que o Haiti é aqui, não é?

No caso dos planos de saúde, que já não vinham bem das pernas, A COVID jogou todos na vala comum da calamidade pública.

O meu plano, que é um plano empresa vinculado a uma fundação que ajudei a criar, me permitia até Dezembro, o conforto de pagar a mensalidade sem maiores sustos no orçamento.

Desde então começaram a mudar as configurações, a começar pela plataforma que nos permitia consultar o extrato de utilização dos serviços, Tim Tim por Tim Tim, de cada um.

E aumentaram então o valor da cooparticipação e passaram a cobrar por ítens que antes estavam cobertos integralmente, o que gerou muitos erros e reclamações.

Até março, a nova plataforma ainda mostrava uma tabuleta de aviso: trabalho em andamento…estamos trabalhando para seu maior conforto, etc, etc.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Páscoa


Este ano, mais uma vez a Páscoa Cristã, sincronizou com a Judaica

É uma data muito sensível as duas comunidades, pelo peso que sustentam as duas narrativas, baseadas na vida e obra de seus dois personagens principais, pela ordem: Moisés, Moshe para os mais íntimos, e Jesus, nada mais, nada menos, que o filho de Deus.


Operei na quinta feira e tive alta na sexta-feira santa. Na cama pensei em escrever um post sobre a data. Sobre os significados diferentes para os católicos e judeus do mundo inteiro, com muita violência embutida por conta da Crucificação e a escravidão no Egito.

São duas histórias muito diferentes, com Moisés vivendo até os 120, e Jesus vivendo até os 33 anos. Em comum, o destino final, a terra prometida, Jerusalém, que Moisés por um destes caprichos divinos, não chegou a pisar.

Resolvi obedecer ao bom senso, e deixei em aberto a edição de domingo do O Correio da Tijuca, e acabou chegando as minhas mãos através da Tânia, um texto
compartilhado em grupo de estudos de Psicologia e Psicanálise que segue abaixo:

O primeiro entendimento que tive foi saber que a palavra Pessah significa passagem e não Páscoa como sempre imaginei.

Tudo a ver com a eterna busca da terra prometida, o Paraíso?, Jerusalém? – Todos os caminhos levam a Roma. Ao amor. Ao, conhece-te a ti mesmo.

Espero que gostem, curtam e compartilhem sem moderações de cunho religioso.

“Sede passantes”

( O texto é de Jean-Yves Leloup que é doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia.)

Este tema da passagem é o tema da Páscoa.
Pessah em hebraico, quer dizer passagem.

A passagem, no rio, de uma margem à outra margem, a passagem de um pensamento a outro pensamento, a passagem de um estado de consciência a outro estado de consciência.

A passagem de um modo de vida a um outro modo de vida. Somos passageiros. A vida é uma ponte e, como diziam os antigos, não se constrói sua casa sobre uma ponte.

Temos que manter, ao mesmo tempo, as duas margens do rio, a matéria e o espírito, o céu e a terra, o masculino e o feminino e fazer a ponte entre estas nossas diferentes partes, sabendo que estamos de passagem.
É importante lembrar-se do caráter passageiro de nossa existência, da impermanência de todas as coisas, pois o sofrimento geralmente é de querermos fazer durar o que não foi feito para durar.

A grande Páscoa é a passagem desta vida mortal para a vida eterna, é a abertura do coração humano ao coração divino.

É a passagem da escravidão para a liberdade, passagem que é simbolizada pela migração dos hebreus, do Egito para a terra Prometida. Mas, não é preciso temer o Mar Vermelho. O mar de nossas memórias, de nossos medos, de nossas reações.

Temos que atravessar todas estas ondas, todas estas tempestades, para tocar a terra da liberdade, o espaço da liberdade que existe dentro de nós.


Sede passantes.

Creio que esta palavra é verdadeiramente um convite para continuarmos nosso caminho a partir do lugar onde algumas vezes paramos.

Observemos o que pára a vida em nós, o que impede o amor e o perdão, onde se localiza o medo dentro de nós.
É por lá que é preciso passar, é lá o nosso Mar Vermelho.

Mas, ao mesmo tempo, não esqueçamos a luz, não esqueçamos a liberdade, a terra que nos foi prometida.” 

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Rascunhos Noturnos

Conforme prometido em um post anterior, no dia 6 de Abril, quinta feira, tomei uma anestesia geral para fazer o procedimento de Ablação, para resolver uma fibrilação atrial, que consiste a grosso modo, soldar e isolar os circuitos elétricos que provocam os curtos , causando a arritmia.

Voltei para o CTI e após tentar ligar a televisão pelo controle e não conseguir, me dei conta que não conseguia dormir e ia ser uma longa noite até o café da manhã.

Comecei então a rascunhar mentalmente, primeiro pelo título e depois fixando os pontos, para quando fosse escrever no papel no dia seguinte.

Por ordem de chegada foram os seguintes, que vocês vão poder Ler no blog O Correio da Tijuca:

As palavras imantadas – Meu caro amigo #2 – julgamento alheio – Páscoa – Dos contratos e Rascunhos noturnos. E uma playlist com músicas que falam do coração.

No dia seguinte me dei conta que estava ainda sobre o efeito da anestesia.
Quando o enfermeiro veio tirar e refazer os curativos na virilha, me informou que o ideal para retirar era usar éter, mas há muito tempo foi proibido por conta dos muitos roubos praticados por adictos de drogas.

Resolveu também o mistério de a tv não ligar: Tv LG e controle da Samsung. 

Por: adolfo.wyse@gmail.com

As palavras imantadas

Quando estava escrevendo o Livro Canção para Iara, saquei para usar uma gíria fora de moda, dos maravilhosos anos 60/70, que as palavras são imantadas, ou seja, atraem em seus polos positivo e negativo, as cargas de positividade e negatividade, que estão em todas as coisas, como uma lei do universo, e que ao fim e ao cabo, dá equilíbrio aos corpos físicos e materiais.
Assim elas carregam emoções expressadas que demonstram estados de espírito, sentimentos, que alguns seres humanos conseguem, mascarar, dissimular, e os psicólogos aprendem desde cedo a fazerem a leitura do corpo, aquilo que não é falado, ou então é falado demais, na tentativa de ocultar algo, que vai expor aos outros fraquezas inconfessáveis, que a sociedade classifica como crimes das mais variadas naturezas, que atentem ou ameacem a moral e os bons costumes.

As palavras e as imagens nos assaltam de um modo muito mais rápido do que podemos selecionar e digerir como alimento saudável para a alma e ou espírito.

Nos pegamos perguntando assustados de onde nascem estes pensamentos, e na hora não percebemos que eles vem de toda parte e através de vários meios de comunicação, o velho e bom, boca a boca, a fofoca nossa de cada dia, as rádios, jornais, tv e redes sociais.

Para piorar, não existe nenhum senso de censura, que possa frear a má educação, nem mesmo aquela famigerada proibida para menores, de quantos anos mesmo?

Quando alguém faz qualquer movimento neste sentido, seja autoridade politica, religiosa ou civil, a velha e inabalável bandeira da liberdade de imprensa é levantada.

Em tudo existe um custo benefício.Perdemos há muito tempo a capacidade de colocar na balança e aferir o preço que estamos pagando, individual e coletivamente .

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Julgamento Alheio

Hoje, depois de passar 9 horas em claro, depois de uma anestesia geral para um procedimento no Quinta Dor (falo disso em um próximo post e vocês entenderam melhor), estava seco para tomar o café da manhã, café preto e forte que chega entre cinco e seis horas da manhã.

Ainda bem que a Tânia foi dormir em casa, pois eu estava no CTI,  senão ela ia surtar com os fatos que vou descrever, na ordem a seguir.

A funcionária que trouxe o café deixou naquela mesa ajustável a cama, onde eu estava sem poder mexer muito por causa dos curativos e dos fios de monitoramento.

Veio como  em todos os dias a mesma coisa. Duas garrafas pequenas, Uma de leite e uma de café, dois mini pães integrais, duas fatias de queijo branco, uma salada de mamão, e dois tabletes, um de manteiga e outro de geleia, que nunca comi.
Servi a chícara média quase cheia, e tapei bem a garrafa. Fiz os sanduíches com o queijo, e comecei a comer e beber o café.

Estava na metade quando a personagem principal entrou no quarto. Uma enfermeira com uma máquina portátil para fazer um Eletro, que faz mais rápido que colocar os fios nos catéteres nos braços, tornozelos e peito.

Olhou pra mim e falou. Desculpe, preciso interromper seu café.
Achei um desrespeito, mas concordei. Aconteceu então o primeiro fato. Ao tentar afastar a mesa do café da lateral da cama, derrubou no chão a garrafa do café preto, que para minha sorte e dela estava fechada. Ela falou alguma coisa e colocou de novo na mesinha. Colocou os fios e quando acionou o controle remoto do eletro, não funcionava. Se dirigiu para a porta e falou com a enfermeira no balcão: – Fulana, me dá uma luz! A outra  respondeu: – tá se luz, Sicrana? – pode ser as pilhas, podem ter colocado errado. Chegou e ajudou a inverter a posição e o aparelho ligou.

Virou  e falou para eu nem respirar e imprimiu aquela primeira folha de teste. A segunda não saiu porque o rolo acabou.
Recorreu novamente a colega que conseguiu e ajudou a posicionar na máquina. Conseguiu enfim.

Virei pra ela e falei! Você tá deixando o teu plantão agora? Ela concordou e falou alguma coisa sobre estar atrasada e hoje ser feriado. Eu disse. Por isso você está agitada? Ela disse que não estava. Eu falei de novo. No meu tempo de bancário acontecia muito comigo. Impressora não funcionar, Por falta de cartucho ou rolo de papel e idem para o telex.

Ela se queixou do hospital, que está faltando gente e aquele discurso  que todo mundo que trabalhou em qualquer empresa conhece, sem falar do sufoco da condução para ir e vir.

Agradeci a ela, desejei bom feriado e boa páscoa, percebi que tinha conseguido recuar no meu julgamento alheio, coisa que ainda bem, não chego a expressar verbalmente. Uma coisa é você ler  na internet aquela mensagem:  Não julgue e trate bem as pessoas. A gente nunca sabe pelo que estão passando. A outra é quase sempre mais aplicada: – Tratar mal e nem mesmo dar ao outro tempo de dizer o que está passando.

Por: adolfo.wyse@gmail.com