Conversas

As conversas de elevador, que tem um tempo breve, a depender de que andar se vai,  e a menos que aconteça uma falha de energia, que vai exigir um papo mais longo, até mesmo para quebrar o pânico que pode se instalar em alguns que sofrem de claustrofobia, não passam de : um bom dia, parece que vai chover, o trânsito hoje estava um horror, meu patrão vai me matar.

As de sala de recepção de consultório médico, incluindo aqui os dentistas, são verdadeiras aulas de anatomia, e cada um tem um histórico de doença que somos obrigados a ouvir, não a compartilhar, afinal não  estamos em nenhum grupo de auto ajuda, embora as pessoas sejam solidárias com a dor alheia.

Quando em ambientes sociais mais amplos, e até ao ar livre, a introdução não muda muito, e o papo vai evoluir de acordo com a interação. E aqui entra o componente chave que vai ditar o rumo da prosa. Se for uma pessoa carente,  e aqui cabe qualquer tipo de carência, ela vai abrir o livro da sua vida, como se estivesse em um confessionário ou divã de um terapeuta.

Em resumo, não somos robôs, graças a Deus somos humanos, carentes, sim senhor, e aqui tanto faz ser do primeiro, segundo, terceiro mundo. Precisamos de alguém para dar bom dia , boa tarde e boa noite,  comentar as notícias do dia, dos cadernos
políticos, policiais, esportivos, culturais, que são em primeira instância, os temas mais indicados para se iniciar uma conversa.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Encontrando Kandinsky

O título deste post foi inspirado pelo filme “Encontrando Forrester”, com Sean Connery, onde eu encontrei Israel Kamakawiwo’ole cantando com sua voz aveludada “Over The Rainbow” e “What a Wonderful world” se  acompanhando apenas com o ukulele.

Mas o tema principal é Wassily Kandinski,  pintor tão conhecido como Picasso, Dali, Miró, Van Gogh e todos os outros grandes mestres que frequentam qualquer livro da história da arte. A Abril por exemplo tem uma coleção com ótima apresentação chamada Grandes Mestres a preços populares.

No site eu já tinha criado uma página dentro da Sala de Pintura onde estão outros mestres. Mas Tem três semanas que venho recebendo no Facebook novas obras que me obrigaram a criar uma galeria que começou com 100 quadros e hoje  está dividida em três álbuns para não sobrecarregar muito uma página e não saturar o olhar dos leitores. E a cada dia salvo de 4 a 5 quadros, para encanto de minha alma. E vou atualizando os álbuns, que dividi por paisagens, abstratos e geométricos.

Uma amiga me disse que estava no Museu do Prado em Madrid apreciando um quadro do Miró que era apenas uma linha com um ponto. Um garoto de 5 anos ao lado do pai disse: ” Isso eu também sei fazer”.

Quando contemplo um quadro de Kandinsky me sinto como Ananda sorrindo para a flor na mão de Buda.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Da série: Filosofia numa hora desta – 16/07/2017

O Facebook veio para nos ensinar, aqueles que não frequentaram,  e outros que chegaram mesmo a assistir (obrigados) as aulas de educação moral e cívica, que CURTIR significa, para si mesmo. COMENTAR  significa imprimir um selo de aprovação  ou não,  ainda sob o ponto de vista pessoal, subjetivo portanto, como aquela peça famosa de Pirandello, “ Assim é se lhe parece”. COMPARTILHAR significa partir e repartir o pão conforme prega o bom evangelho, embora  exista o pão  que o Diabo não só amassa mas tem farta rede de distribuição.

Toda esta introdução para chegar ao ponto,  papo reto, que quem gosta de entrelinhas é agulha de crochê. E o ponto é Cultura. O que faz um paisano gastar de  10 até 50 reais para adquirir um Livro de seu interesse literário, não para uso profissional e depois deixá-lo mofando nas estantes abertas ou fechadas?  Estamos pagando, dando valor ao conteúdo, não é assim? Com um CD , a mesma coisa, e tem embutido nisso um sentido de posse. Comprei, paguei, é meu.

Tudo isso para dizer que estou  chocado por não ter conseguido vender os livros que eu tive que bancar para editar. Achei que seria fácil. Fiz as contas: Tenho 100 amigos no Face. Se cada um comprar e recomendar para um amigo e a roda da rede girar, a conta fecharia fácil e cedo. Um ano depois e ainda estou com 100 exemplares encaixotados.  Considerei todos os componentes que podem ter e estar contribuindo para esse insucesso na distribuição e não posso desprezar o maior deles que é esta crise que não tem nem adjetivo para ser descrita, a mais imoral  para usar um.  Tem e não posso negar a minha  resistência em aceitar a mídia de imagem e todos nós sabemos que quem não está na TV, nos grandes centros, leia-se, Rio de Janeiro e São Paulo, não existe e não existir aqui, significa ausência total de patrocínio oficial ou privado. Tem o fato que merece ser sublinhado com marca-texto, de a Editora ser uma editora  internacional, já que as daqui além de não estarem nem aí para a Hora do Brasil, me apresentaram os preços mais abusivos. De qualquer modo e em qualquer caso, é Domingo, um dia como outro qualquer para compartilhar. Conforme já sabemos, poucos lerão o texto até o fim, o Facebook  ensina isso muito bem, também. 

Por: adolfo.wyse@gmail.com

A Conversação

Olha só! Tô vendo você arrumando a mala,  sugerindo uma viagem longa, se fosse curta,  a mochila e uma bolsa de mão seriam suficientes. Quero por isso conversar, saber quais são seus planos, para onde vai, se vai retornar, afinal, a esta altura do campeonato, no último quarto,  como se diz no basquete, serei afetado pelo resultado desta decisão.

Eu sei. Tenho consciência disso. Mas o fato é que com ou sem aviso prévio, com pré ou pós testamento, a dor será sempre inevitável, já o sofrimento é opcional, conforme o sujeito esteja com suas defesas em dia.E essa coisa de ir arrumando a mala com antecedência sem nem ter mesmo traçado um destino vai cair no mesmo curso de probabilidade se a passagem for  comprada antes e no tempo decorrido entre o guichê e a data do embarque, alguma coisa acontece, motivos de força maior, que não faltam a rondar por aí, nos obrigando a remarcar a viagem.

Sei exatamente o que você está sentindo e pensando que eu tô te trocando por um corpo mais jovem que vai me dar mais prazer, tô falando dos prazeres da carne mesmo, o sexo, a comida, a bebida, coisas que a um bom tempo você mesmo perdeu o apetite seja pela erosão do tempo, pelas doenças que um corpo velho atrai.

Acontece que somos indissociáveis, corda e caçamba, e como disse Saramago, o corpo e a alma não vão a lugar nenhum, um sem o outro. Assim, não há razão para ressentimentos, alimentados por uma crença nociva e distorcida de que assim que o corpo desce para a última morada, a alma levanta vôo como se borboleta fosse deixando o casulo.

Voltando a arrumação das malas pense em quanta economia de espaço conseguimos hoje em dia, para levar os livros e os discos por exemplo, sem falar no quanto de sofrimento vai ser evitado quando não precisar ter que escolher este ou aquele. Com dois aplicativos você leva no celular sua biblioteca e discoteca sem nem mesmo ocupar seu espaço de armazenamento. Basta um cartão Extra de memória, um MicroSD.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Em Compensação

Problema bom é problema que tem nome e sobrenome.
Esta frase feita que encontrei na primeira aula do meu segundo curso de Escrita,  já valeu a inscrição,  que aliás foi gratuita como todas que buscam atrair interessados.

Na semana passada o meu sistema de auto-compensação disparou quando a frustração deu as caras, quando fiquei sem conseguir escrever nada para o blog sala de redação.

Qualquer paisano nesta hora sai em busca do prazer que vai repor o nível de serotonina, que pode ser encontrado em um cigarro, uma bebida, uma barra de chocolate, em um shopping.

No meu caso fui parar no site da Amazon onde comprei quatro livros  e consegui tirar 2 do carrinho, igual a gente faz no mercado quando não tem dinheiro para pagar ou lembra que é um compulsivo em recuperação. Vou falar o nome dos livros, não por exibição, mas por acreditar que a boa literatura deve circular mais, e os bons autores serem recomendados.

“Os Diários” de Franz Kafka –  “O Caderno” de José Saramago e  “Último Round”-  Tomo I e II, de Júlio Cortázar.

Humildemente falando estes dois cursos me serviram para reforçar aquilo que eu já tinha ouvido falar: – Entre o saber e o saber fazer existem alguns obstáculos que precisam ser ultrapassados. Como a preguiça, a procrastinação,  a falta de hábito e outros sabotadores ocultos.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Nietzsche não mora mais aqui.

As coisas que deveriam ser as mais importantes, as pedras que sustentam qualquer edifício social, estão a cada dia tão banalizadas, que fica difícil acreditar, que um dia deixaremos de ser uma república das bananas.


Estas coisas, melhor dizendo, estes princípios, que tem origem de cunho religioso, quando foram apresentadas a Moisés, as tábuas da Lei Divina, os Dez Mandamentos, que foi o roteiro adaptado e incorporado na narrativa Judaico-Cristã., foram todos desrespeitados, a começar pelo primeiro mandamento: – Amar a Deus sobre todas as coisas. Este pecado maior, abriu precedente para todos os outros.

O sexo que tem um papel essencial neste enredo, sagrado por ser o elo de criação da vida, caiu literalmente na vida profana deixando de ser um produto do amor, para ser apenas um produto de consumo para aliviar as funções fisiológicas, tão necessárias para que o equilíbrio emocional entre corpo e mente seja mantido.

Os princípios políticos então viraram motivo de piadas, de memes, como se diz agora, e os parlamentos são ocupados por atores de terceira categoria repetindo desgastadas falas que em nada enriquecem o curso democrático.

Tem gente, muita gente mesmo, que acredita que “O Messias” vai voltar e vai colocar as coisas nos eixos novamente. Vai ter que vir com uma proposta muito revolucionária para não cair no esquecimento, como os Mandamentos.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

O Retirado

Eu poderia estar na praça, para ser mais exato, na Afonso Pena, onde além da Estação do Metrô com o mesmo nome, tem uma área coberta com mesas quadradas e bancos,  de cimento, onde o pessoal da chamada terceira idade, se reúne para um carteado, um jogo de damas, de dominó e raramente se vê um tabuleiro de xadrez.

Eu poderia também como primeira opção ficar em casa mesmo, sem sair da minha zona de conforto, me esparramar no sofá da sala, e ficar fazendo palavras cruzadas, Sudoku, zapeando a tv em busca de um filme, de um jogo de futebol, de tênis, ou de basquete, que hoje me desperta mais emoções. Ou pegar o celular e dar uma passada pelas redes sociais, onde tudo o que acontece no mundo, de mais relevante, o grupo da família se encarrega de passar em segunda mão.

Eu posso hoje, me dar ao luxo, de ter todas estas opções, e de desfrutar desta liberdade, apenas concedida aos retirados, aposentados, de não fazer nada, de não ter prazos a cumprir, e fazer apenas o que é necessário para manter a mente sana, diante de um mundo tão insano, e o corpo com o mínimo de equilíbrio para ir e vir.

Palavra cruzada é para os fracos. Eu vou de Java Script, Curso de Espanhol e Escrita Narrativa.Ah! Sim! Ainda brinco no parquinho de quinze em quinze dias embora não possa mais subir  na gangorra.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

O Sindicato

Regra de Ouro:

“O contador e o tesoureiro de qualquer empresa, jamais deve ser a mesma pessoa”.

No livro Canção para Iara, eu falo naquele ensaio livre, sobre o meu primeiro emprego de carteira assinada no Sindicato dos Estivadores de Rio Grande, que consegui graças a um bom curso de datilografia e ao fato de só haver duas vagas e dois candidatos. Nem precisei de usar o tão famigerado jeitinho do QI (Quem indica), uma vez que o meu pai era o secretário em exercício.

O salário era um salário mínimo que ajudou a minha auto estima ao poder contribuir para o orçamento doméstico, e eu não tinha então aquelas necessidades de consumo.
Foram 2 anos de uma boa experiência profissional e de observação do comportamento humano e uma amostra do que é um Sindicato. Normalmente aos sábados, ao fim de cada mês, formava uma fila na porta do Sindicato, dos Estivadores, homens brutos por conta do trabalho pesado, alguns vindos diretamente do porto com a roupa de trabalho, para receber o salário família, que obedecia o critério de que quem tinha mais filhos recebia mais. Acreditem se quiserem, o que tinha mais filhos era invejado pelos demais. O pagamento era feito em dinheiro pelo tesoureiro em um único guichê. Alguns deles já chegavam embriagados, e ficavam impacientes e agressivos, principalmente com o tesoureiro, e um deles arremessou um cinzeiro de vidro,  daqueles que ficavam no balcão e felizmente não acertou ninguém, nem o tesoureiro que era o alvo da agressão.

Mas o causo que teve mais sensação e que foi devidamente abafado pela imprensa local, quem sabe para não desabonar a imagem do Sindicato, e eu fui testemunha ocular, foi o descrito abaixo
:

Chegando para trabalhar encontramos o Presidente do Sindicato em exercício, enrolado na Bandeira do Brasil, aos prantos. Uma cena digna da novela “O Bem Amado” de Dias Gomes. Havia perdido ou gasto, – o que é a mesma coisa – , dinheiro do Sindicato, com jogo, mulheres e bebidas em Porto Alegre, em um congresso sindical.

Este é o post de número 160. Um divisor de águas. Mas não vou contar mais. Ainda não me atrevo a nadar depois da arrebentação.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

O Homem que andava em cima do Muro.

Ao contrário do que muita gente pensa, de que em cima do muro, é o lugar mais confortável para se estar, a chamada zona de conforto, muito pelo contrário, é  onde se sofre a pressão do vento, dos dois lados em que ele sopra. E o vento aqui carrega todas aquelas cargas habituais de ideologias políticas e religiosas, que já são suficientes para desequilibrar qualquer paisano, independente do lado do muro que mora.

O muro aqui não pode ser representado pela Muralha da China ou o de Berlin, que foi derrubado e as pessoas do lado Oriental puderam abraçar as do lado Ocidental, que por vários motivos, o principal deles de natureza ideológica, foram obrigadas a ficar sem poder escolher um lado.

O que ninguém fala ou sabe é o que levou este homem a escalar o muro e lá permanecer, sem se sentir tentado a pular para o outro lado. Imaginar que as coisas do outro lado, em essência, não são muito diferentes, é um bom início de conversa.

Vamos imaginar que um paisano Colorado desde  criancinha, um dia escala o muro. E lá de cima contempla um mar de pessoas com camisas azuis, que desde pequeno ouviu falar que eram os inimigos a serem batidos dentro das quatro linhas, a princípio, e depois com a criação das torcidas organizadas, a coisa se expandiu para as arquibancadas e hoje divide o Rio Grande, o “Estado”.

Voltando a imagem, neste dia sopra um vento minuano daqueles que levanta tampa de silo em beira de estrada. O paisano devidamente fardado com o manto Colorado, cai naquele mar azul de Gremistas.A questão da história é: – Se ele não for linchado, por uma destas intervenções divinas, vão obriga-lo a vestir a camisa do Grêmio, cantar o hino 4 vezes ao dia antes das refeições, no processo de conversão.


A moral da história é: Ele deixará de ser Colorado?

Por: adolfo.wyse@gmail.com

A Paz, a Guerra e a Resistência.

Tanta gente do nosso tempo, da nossa geração, a turma nascida  em 1950, que a gente só veio a conhecer, quando se destacou em alguma área e mereceu o destaque nas mídias, ou quando morreu e teve o mesmo destaque, com alguém tecendo aqueles elogios pela vida e pela obra.

O conceito pode ser aplicado a qualquer turma e época. Ontem mesmo, passeando pela TV, assisti meio tempo da decisão da Liga dos campeões, vi dois episódios de uma série, assisti  um quarto dos playoffs da NBA e zapeando fomos agraciados com um documentário no canal Arte 1 sobre a vida de Pablo Casals, um dos maiores violoncelistas, do mundo. Que dedicou a sua vida a levar a música de Bach para melhorar a harmonia entre os Povos. Mas que lutou e resistiu bravamente aos regimes de Franco, Mussolini, Stalin e Hitler. Morreu em 1973 com 97 anos.


Como eu disse era de outra turma, e que só vim a conhecer ontem e olhem que a TV já era a mídia dominante em 1973.
Passou a ser da minha turma no momento que me inspirou, a muito mais do que escrever este post.

A palavra resistência do título é totalmente dedicada a ele. A Paz e a Guerra, que parecem gêmeas siamesas, são dedicadas a Liev Tolstói, autor de “Guerra e Paz”, um tratado de 1225 páginas sobre as guerras Napoleônicas na Rússia.

Já ouvi falar e custo a acreditar,  que as guerras fazem parte de um plano maior de controle populacional. Mas o papo mais furado mesmo, é o argumento de que as guerras existem para promover a Paz.

Por: adolfo.wyse@gmail.com