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Em busca de um Agente

Em 2016 publiquei o livro “Canção para Iara”.
É um livro leve de poesia e crônicas  que se lê de uma sentada. Ideal para as mentes preguiçosas de hoje em dia.

Como dito no prefácio de orelha, eu o escrevi, não posso elogiá_lo. Mas agora com o devido distanciamento critico é um livro bom e numa avaliação de 5 estrelas , marco 4.

Sabemos todos que mesmo as produções culturais estão sujeitas as leis do mercado S/A. E todo produto tem preço estipulado e o livro não foge a regra da oferta e da procura.

Como todo produto precisa estar exposto em vitrines, prateleiras, em livrarias, bancas de jornais, divulgado nos canais competentes, jornais, radios, tv e internet.

O que não é visto não é lembrado e chegamos então aos 3 pontos cardeais, que orientam todo o processo: Patrocínio, propaganda, e publicidade, que pra mim significam a mesma coisa: Marketing.
Ninguém chega a uma grande e respeitada editora sem um bom agente, assim como os  jogadores de futebol a um Grande clube, sem um bom empresário. É claro que você precisa ter um bom peixe pra vender.
E a menos que você  encontre um mecenas, ninguém vai investir um tostão no seu produto sem alguma garantia de lucro, a curto, médio ou longo prazo. Para isso são medidos custos de edição, distribuição, armazenamento, fretes e margem de lucros.

Tudo isso pra dizer que preciso de um agente, um patrocinador, para fazer a roda girar e quem sabe um dia ver o meu livro estampado em todas as boas livrarias do ramo.

O que é uma Catarse?

A primeira catarse coletiva que escutei com os meus ouvidos foi em 1954 quando o rádio que transmitia a noticia do suicídio de Getúlio Vargas despencou do suporte ou prateleira que o sustentava.

A segunda apesar de ser anterior na cronologia, ouvi falar pela primeira vez em 1958 quando a seleção brasileira foi campeã na Suécia , mas a catarse coletiva aconteceu em 1950, eu  tinha 6 meses de idade, e foi a derrota em pleno Maracanã para o Uruguai. 

A terceira mais uma vez gerada por uma copa do mundo, no México, conquistada pela melhor seleção  de todos os tempos! Consultem o oráculo para ver o timaço.

A catarse se deu no Brasil  inteiro,  mas eu vi com meus olhos o maior carnaval do mundo, quando uma multidão cantando e sambando desfilou pelas ruas do Rio de Janeiro.

Não existe almoço grátis

Diz, um ditado, que macaco velho, não mete a mão em cumbuca. Outro diz, que: Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, ZÉ, ou tem maribondo no pé.

Mesmo sabendo disso, este que vos fala, humano, alfabetizado, contrariando aquele ditado, de que gato escaldado tem medo de água fria; voltei a enfiar a mão   onde não devia, conforme relato abaixo.

Pirataria é crime! Contravenção é crime! E no entanto, sites piratas prosperam a luz do dia, na terra de ninguém, que é a Internet; oferecendo desde músicas em mp3, filmes, series, sem falar no cardápio erótico-pornográfico, onde crimes mais sérios são cometidos.

Resumo da Ópera: Buscando encontrar algumas músicas de mp3 de um grupo nacional para alimentar a rádio  de meu Blog, cliquei em um destes sites e na hora que você digita no campo de busca; te abre  instantãneamente  uma guia de um site de apostas, já te oferecendo alguns bônus para brincar um pouquinho ou uma guia de um site de aplicação em Bitcoin ; e se você, fechar estas guias e clicar em alguma coisa para baixar, reze para que seu antivírus esteja atualizado.

Passado o susto, rogo aos meus 94 amigos  e amigas do face, que tenham músicas do Legião Urbana no formato mp3 nos seus computadores, me enviem via e-mail (arquivos comprimidos em zip). Se tiverem os cds usados eu compro e pago o frete, mas vamos nos poupar de ter que ir aos correios, nestes tempos sombrios. Arquivos digitais são mais rápidos e não extraviam.

O Clube

O clube

Dizem que existe um clube seletíssimo onde os destinos das nações são traçados. Onde se reúnem, uma vez por ano, em local e data nunca fixos, lideranças políticas eleitas ou destituídas conforme ordens expressas emanadas de lá.

Considerando o poder que cada sócio carrega ou representa, fica difícil imaginar uma mesa de reunião à “La Távola Redonda”; o mais razoável é uma mesa retangular onde, à cabeceira, apenas um coordenador de reunião com um estatuto e um código de conduta à mão secretaria e leva a reunião em boa ordem. Um computador de última geração, patrocinado em conjunto pela Microsoft e Apple e com o Google Maps atualisadíssimo para dar aos sócios toda a movimentação geopolítica e um banco de dados completo, auxilia na tomada de decisões.

Se vocês pensaram, como eu, que os personagens que aparecem com frequência em fotos de reunião do G7, G20 são membros desse clube, com certeza tem uma cadeira onde alguém os representa. E ficamos a nos perguntar: o que é o Poder? Qualquer um pode representá-lo?

Tentando responder a essas questões alguns homens queimaram mais do que as pestanas; Giordano Bruno foi um deles e era muitíssimo respeitado, ao ser levado para a fogueira, entendeu: “Que ingenuidade a minha! Pedir, a quem detém o Poder, para reformá-lo!”.

Voltando ao clube, existem sócios pessoas físicas (bilionários em geral), pessoas jurídicas, empresas que detêm o PIB de algumas nações, lideres religiosos, cada um representando o seu nicho, e não vamos esquecer da mídia, cujo representante pode vir a ocupar duas cadeiras, não porque seja gordo ou mais poderoso, mas por ter o nome na lista dos bilionários também.

A razão de ser desse clube está definida e expressa em um banner móvel, exposto na parede da sala de reunião, a exemplo do que vemos em qualquer empresa moderna:

– Nossa Missão –

Manter o capitalismo como sistema único e absoluto. Haja o que houver. Custe o que custar. E em letras miúdas: “distribuir riquezas quando sobras houver”.

A crise de 2008 serviu para demonstrar, sem nenhuma sombra de dúvida, que os problemas do mundo não são decorrentes de falta de lastro. Tanto é assim que a grana veio em sua maior parte da China, país que há pouco passou a ocupar uma cadeira no clube, que naquele ano reuniu-se em dia e local desconhecido.

Falam as más línguas, a minha incluída, que após a reunião os sócios fizeram uma festinha fechada, coisa íntima (em ambiente totalmente blindado) para descarregar as tensões e aliviar as pulsões, afinal são seres humanos e é uma prática comum hoje, após seminários ou conferências, patrocinados ora aqui ora ali, por alguma indústria farmacêutica ou cia. de seguros.

Pitágoras

Pitágoras

Até hoje não sei se o “Pitágoras” compunha seu nome verdadeiro. Tudo o que sei e pretendo aqui narrar é que ele era professor de matemática, o que já deixa uma pista de, no mínimo, uma associação imediata com àquele, O filósofo e matemático grego autor do famoso teorema que leva seu nome. Acredito que qualquer possibilidade de filiação esteja descartada, já a questão da reencarnação, ainda não estou pronto para discutir sobre o assunto.

O fato concreto, embora ainda um pouco confuso em relação ao ano, vamos nos situar aqui entre 1965/1966, na cidade de Rio Grande, úmida e cinza como a minha depressão, que só mais tarde eu iria poder identificar, reconhecer e rotular.

Esse mesmo distanciamento crítico me permite afirmar que a mudança de volta a Rio Grande, depois de ter estabelecido laços afetivos com gente e com a cidade de Porto Alegre, não foi o detonador das minhas infelicidades. Eu já estava ruim da cabeça a ponto de abandonar o 4º ano do ginásio, que fui repetir no curso noturno na Escola Lemos Junior onde a maioria dos alunos eram filhos dos estivadores, jovens pré-adultos que não estavam “nem aí para a hora do Brasil”.

Conheci então o professor Pitágoras. Um homem magro, estatura média. Chamou-me para fazer um teste de avaliação e eu, que me gabava de ser bom em raiz quadrada e regra de três, travei completamente quando me apresentou às equações. Naquele ano a média 7 era a exigida para passar de ano.

Tinha noites em que ele entrava na sala e falava: quem quiser discutir futebol vem aqui pra frente, quem quiser dormir, pode dormir ou até mesmo ir embora. Em outras, ele dava a sua aula sem que se ouvisse uma mosca voando, tal a atenção que despertava.

Segurou a minha caderneta até o fim do ano, sem que eu soubesse a quantas andava a minha média. Na verdade eu sabia que estava abaixo de 5, de modo que fiquei para uma prova final, a qual fiz ao lado de meu irmão Zeca, que era de outra turma. Comecei a fazer a prova e, antes mesmo que eu acabasse, aproximou-se, recolheu minha prova e me entregou a caderneta com a média 7 averbada. Fez o mesmo com o meu irmão.

Boa Noite Dr. Freud…

Boa noite dr. Freud

Estava passando, vi a porta aberta… Posso sentar?

Sonhei que escrevi um livro. Nesse livro, cada página tinha um rosto familiar e amigo. Não é um livro grande, quero dizer, com muitas páginas, tipo romance ou dicionário. É um livro curto. Tipo de bolso. Na verdade, o que importa é o seu conteúdo, ou seja, o que ele tem dentro de si, esse espelho que permite a identificação instantânea com a forma, que alguns chamam de Literatura e outros tratam como apenas, isso mesmo: literatura.

Mas o motivo principal, que me traz aqui essa noite, não é a literatura. Nem mesmo a psicologia, em si mesma. O que me traz aqui é uma necessidade de conversar, soltar o verbo, a voz, o corpo e a culpa, que têm empurrado tanta gente pelo despenhadeiro…

Não desprezo a forte importância que a sexualidade exerce sobre a personalidade e o caráter. O senhor mesmo desenvolveu uma teoria, respeitada até hoje, sobre o assunto. Confesso que não li e não gostei. A minha mulher diz que é resistência. Eu prefiro chamar de insistência em resistir.

No momento, o que me incomoda não é tanto a ejaculação precoce, mas sim, a incontinência urinária. Não tenho medo de morrer. Morrer não dói. Conheço a morte de vista.Só não queria que fosse agora. Imagine o senhor que eu descobri que existe culpa depois da morte.Por essas e outras razões, tenho procurado e encontrado quem exorcize esses medos. São os artistas e pessoas que tenho o privilégio de conviver no meu dia a dia.

Estou convencido de que a repressão gera o ladrão, a corrupção, a prostituição em todas as suas variadas formas de expressão.Uma pessoa nasce e cresce estimulada pelo ambiente que a cerca. Quando começa a tomar o gostinho da vida, as inevitáveis perguntas aparecem: “quem sou eu? O que estou fazendo aqui?”.

Não existe uma receita comum. O que serve para mim não necessariamente pode ser apropriado para o outro. As experiências de vida são únicas e subjetivas, o que não deixa de ser um toque mágico do dedo de Deus. É bem conveniente crer que esse processo é comum a todos. A roda da vida. Mais cedo ou mais tarde, cada um tem o seu próprio tempo para experimentar aquilo que o outro passou outro dia. Parece justo.

Existem algumas palavras que são tão subjetivas que merecem uma atenção especial. A alienação, por exemplo, o que significa? Para mim, significa estar ausente (de si?), ou estar presente em si mesmo e ausente do que o circunda? Outro exemplo: um homem lê uma revista em quadrinhos, outro lê o romance mais lido de todos os tempos. É difícil medir, não lhe parece?

Uma Imagem Vale Mais …

Um paysano queima literalmente as pestanas e os neurônios para escrever um texto que possa atrair visitantes para o seu blog (SITE), faz a postagem, e o que acontece: Nada, neca de pitibiriba, como diria o Barão de Itararé. Nem sequer uma curtida, um like. Enquanto espera olhando pra tela observa que a foto do perfil já está desgastada e resolve trocar por uma que encontrou, que favorece todos os ângulos e voi-lá!

Logo, logo começam a pipocar curtidas e comentários!

E como acabamos de demonstrar,  uma imagem continua valendo mais que mil palavras.

Sobre o Desapego

A primeira vez que tive que desapegar da minha discoteca de vinil, os bons e velhos LPS, alguns importados a preço de ouro, leia_se USS , foi quando da primeira mudança de apto. Doei ao cara do transporte com o coração partido.

A segunda vez já foi uma decisão voluntária e sem danos emocionais. Agora os CDS que apesar de ocuparem muito menos espaço físico precisavam de um CD Player e um Receiver para tocarem. Mais ou menos quatrocentos que vendi a preço de banana quase todo o lote.

Havia passado disco por disco para o computador. 

Para encurtar a conversa esta semana comprei um leitor e gravador de cd externo para poder restaurar a minha discoteca que  perdi quando o meu Mac deu pau!

Vocês devem estar se perguntando: Pra que isso se  hoje tem vários Apps de Streaming, tipo Spotify e outros que te oferecem Milhões de músicas por vinte pilas mensais! Então eu respondo: E o prazer de organizar por artista e por álbum, capinha por capinha…

Retrato do Artista quando …

É uma grata satisfação para mim anunciar este livro. Esta – “proezia” – já que o autor, entre a prosa e a poesia, escolheu as duas. Talvez porque entenda que as duas formas levem e traduzam aquilo que é a razão de ser da Literatura, não a sua função: imitar a vida. Cantar os seus cânticos sublimados, sujos, miseráveis, indecentes, líricos, heroicos – cotidianos cantos– efêmeras nuvens de música, que passam em segundos, como uma eternidade.

Canção para Iara é uma canção de agradecimento junto à Literatura e à vida. É um retrato pequeno, retrato 3×4, honesto e puro de um homem que sofreu 35 anos para dizer algo que não conseguia expressar, porque não tinha aprendido: o amor. E esse, meus amigos, é o exercício mais difícil, porque é diário e insaciável e não pode ser comprado, alugado ou vendido.

A Literatura também é um exercício diário e solitário, mas busca sempre o outro, esse leitor solitário também…

Esse é um prefácio de orelha, portanto, a regra diz: deve ser sucinto e sintético. Quando você tiver fôlego suficiente (pare de fumar, Adolfo), escreva um romance… Tenho até um título para ele: “Retrato do Artista Quando Velho”.

O Fim

DO LIVRO: FICÇÕES de Jorge Luiz Borges – Um dos textos mais bonitos sobre o duelo entre Martim Fierro X Moreno. O Desafio pode ser ouvido na Sala de Música.

Recabarren , estendido na cama, entreabriu os olhos e viu o céu azul refletido no teto do quarto.

Da outra peça chegava um acorde de guitarra. O executor era um negro que havia aparecido uma noite com pretensões de cantor e que havia desafiado um forasteiro a uma larga trova de contraponto. Vencido, seguia frequentando a venda, como se estivesse esperando alguém.A força de termos pena das dores dos heróis das novelas acabamos nos apiedando demais com nossas próprias dores. Não assim com o sofrido Recabarren, que aceitou a paralisia como antes havia aceitado o rigor e as solidões da América.

Um ponto despontou no horizonte e cresceu até ser um ginete, que vinha, ou parecia vir, até a venda. Recabarren viu o sombrero, o largo poncho escuro, o cavalo mouro, mas não a cara do homem, que por fim, diminuiu o galope e veio se aproximando troteando. Recabarren não o viu mais, mas o ouviu pigarrear, apear, atar o cavalo no palanque e entrar com passo firme na venda.

Sem tirar os olhos da guitarra, onde parecia buscar algo, o negro disse com doçura:- Já sabia, senhor, que podia contar consigo.-

O outro, com voz  áspera , respondeu:- E eu, contigo, moreno. Te fiz esperar uma porção de dias, mas aqui estou.Ouve um silêncio. Ao fim, o negro respondeu: – Estou acostumado a esperar.-Estou esperando a sete anos. O outro, explicou, sem pressa: Passei sete anos sem ver meus filhos. Os encontrei esses dias, e não quis aparecer como um homem que anda trocando punhaladas.

– O Negro disse: Espero que os tenha deixado com saúde.-Lhes dei bons conselhos, que nunca são demais, e não custam nada. Disse a eles, entre outras coisas, que o homem não deve derramar o sangue de outro homem.Um lento acorde precedeu a resposta do negro: -Fez bem. Assim não se parecerão a nós.

– Pelo menos a mim, disse o outro e concluiu como se pensasse em voz alta: O destino há querido que eu matasse e agora, outra vez, me põe o punhal na mão.O negro, como se não o ouvisse, observou: – Com o Outono se vão encurtando os dias.Com a luz que resta, me basta. Respondeu o outro, ficando em pé. Se curvou diante do negro e lhe disse com a voz cansada: – Deixa em paz a guitarra, que hoje te espera outro tipo de desafio.

Os dois se encaminharam para a porta. O Negro ao sair, murmurou: – Talvez neste me vá tão mal como no primeiro. – O outro respondeu, com seriedade: -No primeiro você não foi mal. O que passou é que andavas ansioso para chegar ao segundo.

Há uma hora da tarde em que a planície está por dizer algo; nunca o diz ou talvez o diz infinitamente e não entendemos, ou entendemos mas, é intraduzível como uma música…

De sua cama, Recabarren, viu o fim. Em uma investida o negro desfechou um golpe na cara e se inclinou em uma punhalada profunda, que penetrou o ventre. Depois veio outra e Fierro não se levantou. Imóvel, o negro parecia vigiar sua lenta agonia. Limpou a faca com sangue no pasto e voltou lentamente para a venda sem olhar para trás.

Cumprida sua tarefa de justiceiro, agora era nada. Melhor, era o outro: – Não tinha destino sobre a terra e havia matado um homem.

 (Ficções – Jorge Luis Borges)