Todos os artigos de Sidnei

Do Estilo e outras bobagens que os críticos (adoram) classificar.

A minha iniciação literária se deu mais ou menos ao mesmo tempo que o despertar sexual. Como naqueles tempos de repressão sexual não se podia comer as moças, no pior sentido machista da palavra e do verbo, comecei a me interessar por revistas em quadrinhos ( Gibis de cowboy e sacanagem).

Minha irmã mais velha sábia e discretamente começou a me recomendar aqueles livros juvenis de aventura. Eu não gostava porque não tinha figuras, até o dia que senti o prazer que era viajar pelo reino da fantasia.

Simultaneamente eram os anos 60. A música explodia nos rádios. O cinema explodia nas telas. A informação corria nas bancas. Uma revolução explodia um País. Outra maior explodia o mundo.

Depois disso tudo querer me cobrar um estilo é exigir demais da minha indisciplina Ética, Estética e Patética.

Sei que é de praxe   citar a bibliografia consultada no fim do livro. Sem querer ser revolucionário vou introduzi-la bem devagar, no começo, no meio e no fim do texto. Porque o contexto exige, e a lista é grande.

Tem mais uma coisa. Vou misturar tudo. Poesia, letra dura, Filosofia, Cinema, Música, sangue, suor, e porque não dizer? Amor e lágrimas.

Se eu entrar no terreno esotérico não me julguem como um aproveitador de onda. É que eu tenho um defeito de nascença,  que só descobri agora:  sou médium.

Modelo de Carta que jamais deveria ser enviada a ninguém.

Prezado Sr.

Me atrevi a enviar estas mal traçadas, mas bem intencionadas linhas,  confiando na sua generosa sensibilidade, e na esperança de explorar o seu prestígio renomado nas rodas de literatura que hoje eu sei transcendem o universo desse pampa tão querido.

Vou ser honesto e franco. Sou Gaúcho, colorado de carteirinha, e estou debutando neste que eu considero um dos nobres exercícios que elevam e aproximam as pessoas. A literatura.

O Sr. sabe muito bem como é. Pintor tem marchand. Jogador de futebol tem Agente. É isso. Preciso de um agente. Que nem aqueles que a gente vê nos filmes americanos. Para poder vender o meu peixe.

Não se constranja em jogar no lixo, se não encontrar nestas linhas nenhum valor. Eu vou aceitar, me sentindo desvalorizado é claro, mas faço umas cópias no computador e distribuo no meu circulo literário ( as redes sociais ainda não foram inventadas) .O boca a boca do povo é que está em vigor. Meu ego vai inchar tanto que compensará toda minha frustração.

Caso contrario convido-o desde já a me honrar com um prefácio, tipo de orelha mesmo, o que muito vai contribuir para enriquecer o  livro,   espiritualmente falando é claro.

Com minha admiração e respeito.

Votar ou não votar, eis a questão.

Na última eleição votei,  consciente apenas de que não tinha muita escolha. Votei no menos pior que acabou ganhando e hoje se revela como todo político que chega ao poder, um mascarado, que não tem a menor intenção de cumprir aquelas surrealistas promessas de campanha, e tem como projeto politico, apenas uma carreira pessoal, com muita vaidade e ambição, no currículo.

Votando ou não votando, ficar dizendo que,  se ficar o bicho pega. se correr o bicho come, a política seguirá seu curso, e todos nós vamos acabar sofrendo as consequências, independente de nossas escolhas. 

Ao contrário do que muita gente diz e pensa, outras falam sem pensar, inclusive algumas celebridades, que o povo (Brasileiro) não sabe votar, tenho comigo uma forte convicção, de que este povo, como disse Maiakovski, ” O inventa-linguas”, apesar de ter o seus inalienáveis direitos a Educação e Saúde, negados, tem uma espiritualidade e por isso, uma sabedoria, que transcende a nossa miséria politica.

Não fosse assim, já teria quebrado de pau, essa cambada toda, essa quadrilha, protegida atrás de bandeiras partidárias que gozam de obscenas imunidades.

Pronto! Falei! 

Mensagem ao mar

Sei que, o que eu vou dizer, é como chover no molhado, mas aprendi também que agua mole em pedra dura tanto bate até que fura. Escutar e ouvir são dois verbos diferentes e as vezes, escutamos mas não ouvimos ou vice-versa; ou seja, a mensagem chega ao destinatário e é decifrada com os ouvidos de cada um e sabemos o quanto somos seletivos e filtramos tudo aquilo que possa vir ameaçar nossa zona de conforto, em bom português, bagunçar nosso coreto.

Se em tempos normais, já não se pode ficar brincando ou tentar bancar o engraçadinho, com coisas sérias, imagina nestes tempos.

Mas o humor (O bom), é essencial e sinal de saúde mental. O humor do carioca por exemplo  de brincar com tudo e com todos,  não se levar muito a serio,  de viver e deixar viver, não e coisa que se aprende, se for de fora, mesmo no meu caso, de 50 anos de Rio de Janeiro.

O trem é aqui. E é disso que se trata. Da grande aventura humana.

E o autor pode,  à partir do era uma vez…narrar a sua estória inspirada por personagens reais que vivem seus dramas pessoais diários, com conquistas e derrotas, alegrias e tristezas, que são em primeira e última instancia, a massa que forma o pão nosso fermentado de cada dia,.

Começar separando o trigo do joio, que hoje cada vez mais, jorra em abundância e indiscriminadamente nas redes, já exige um esforço extra, antes de nos concentrar no assunto em pauta,  que deveria obedecer aquela primeira regra de ouro: não fazer aos outros aquilo que não queremos que façam conosco e aplicando aqui como  não escrever nada que você não gostaria de ler e que não seja,  ou tenha, uma mensagem positiva,e aqui embutidas todas as palavras que englobam o bom e saudável exercício espiritual, como, gentileza, honestidade, generosidade e humildade.

É para presente?

Comprei dois presentes, para mim, e seguindo o que pregam os manuais de auto ajuda, pedi para embrulhar para presente, sim senhor, que eu mereço e fiz por merecer, com 36 anos de bons serviços prestados à sociedade como bancário.

O primeiro foi o Livro “Rayuela” (O Jogo da Amarelinha), de Júlio Cortazar, edição comemorativa da  Academia Espanhola, com uma capa envernizada e com o dorso em cor-de-rosa, para horror do Júlio, que detestava essas coisas: O Verniz e as Academias.

Em compensação, veio enriquecida com os prefácios, de ninguém mais, ninguém menos, do que,  alguns gigantes da Literatura Universal, a saber:Gabriel Garcia Marques, Adolfo Bioy Casares, Mario Vargas Llosa, Carlos Fuentes e Sergio Ramires, (Que conheci agora).

O segundo presente, e vocês podem até pensar que foi um capricho; mas o fato é que não encontrei em nenhum serviço de streaming, para alugar ou comprar, os filmes do diretor Akira Kurosawa. Então comprei um dvd player e os filmes: Sonhos – Derzu-Uzala, Rashomon, Trono Manchado de Sangue, Yojimbo e Sanjuro.

E respondendo ao título deste Post, é para presente, sim senhor, e por favor, embrulhe junto com a embalagem, um quarto de quilo de alegria.

Garrincha

Frases de Garrincha

“Tá legal, seu Feola… mas o senhor já combinou tudo isso com os russos”

— após o técnico brasileiro na Copa de 1958, Vicente Feola, fazer a preleção detalhada de como seria cada lance da partida contra a URSS

“Mas por que todo mundo está chorando? Não ganhamos o jogo?”

— após a final da Copa de 1958

“Campeonatinho mixuruca. Não tem nem segundo turno!”

— novamente após a final da Copa de 1958

“Você viu, Didi? O São Cristóvão está de uniforme novo!”

— antes das quartas de final da Copa de 1962, reparando no uniforme da Inglaterra

“É muito bom jogar por ali. A gente recebe um monte de bola.”

— após o mesmo jogo contra a Inglaterra, em que descobriu como é bom jogar no meio de campo

“Viu? Não é só você que sabe chutar assim.”

— brincou com Didi após marcar o terceiro gol contra a Inglaterra no mesmo jogo

“A bola veio para a esquerda e eu não chuto bem de esquerda, mas não dava pra trocar de pé. Então chutei de esquerda fazendo de conta que era de direita.”

— explicando como foi o gol contra o Chile, na semifinal da Copa de 1962

“O goleiro deles não queria abrir as pernas. Fiquei esperando.”

— falou depois de um gol em que ficou ameaçando chutar e não chutava

“O único crioulo neste país que levou vantagem com a Lei Áurea foi Pelé. Os outros continuam na mesma.”

— vendo a forma como todos sempre bajulavam Pelé, inclusive os racistas

“Fui como Cristo, na vida particular e também no futebol. Já sei que, quando os dirigentes tentam passar os jogadores para trás, eles chiam e dizem: ‘vocês pensam que eu sou um Garrincha?’ É isso aí, gente boa, virei um símbolo do que não se deve ser na vida.”

— concluindo de forma correta sobre si mesmo

Frases sobre Garrincha

Garrincha era um jogador incrível, um dos melhores que já existiu. Ele podia fazer coisas com a bola que nenhum outro jogador conseguiu.”

— Pelé

“Ele tinha um espírito infantil. Garrincha foi a resposta de futebol para Charlie Chaplin.”

— Djalma Santos, também bicampeão mundial em 1958 e 1962

“Ele me deu um baile. Pedi que o contratassem e o pusessem entre os titulares. Eu não queria enfrentá-lo de novo.”

— Nilton Santos, companheiro de Garrincha no Botafogo e na Seleção

“É um primitivo, um matuto, meio índio, meio selvagem, criado num submundo de miséria e ignorância, um lugar atrasado onde nem o trem parava”.

— João Saldanha, técnico do Botafogo em 1957

“Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio.”

— Armando Nogueira, jornalista e botafoguense

“Driblar e driblar com tanta graça e neutralidade – eis um mistério de Garrincha que só Deus pode explicar.”

— Armando Nogueira

“Eu digo: não há no Brasil, não há no mundo ninguém tão terno, ninguém tão passarinho como o Mané.”

— Nelson Rodrigues, dramaturgo e jornalista

“Um Garrincha transcende todos os padrões de julgamento. Estou certo de que o próprio Juízo Final há de sentir-se incompetente para opinar sobre o nosso Mané.”

— Nelson Rodrigues

“Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios.”

— Carlos Drummond de Andrade, poeta

“Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho.”

— Carlos Drummond de Andrade

“Não há comparações possíveis. Pelé fazia coisas que um ser humano faz. Garrincha certamente veio de outro planeta… Jamais houve e certamente jamais haverá um outro Garrincha”

— Gabriel Hanot, jornalista francês e idealizador da Liga dos Campeões da Europa

Manuel Francisco dos Santos. Ou simplesmente Mané Garrincha. Um diabólico e inesquecível gênio. Um inocente passarinho.”

— José Roberto Malia, jornalista

“Pelé e Maradona foram geniais, Puskas e Cruyff sensacionais, mas o maior de todos foi o ‘homem das pernas tortas’ – Garrincha. Nunca vi ninguém fazer com uma bola o que ele fazia”

— Alfredo Di Stéfano, numa reportagem, questionado quem seria melhor entre Pelé, Maradona, Puskas, Cruyff ou ele mesmo

Vicente da seleção portuguesa, Trapattoni, da italiana, Delacha da esquadra argentina, foram capazes de marcar Pelé. Nunca vi nenhum jogador capaz de marcar Garrincha”

— Nestor Rossi, meia argentino da década de 1960

 “Eu fazia o lançamento e tinha vontade de rir. O Mané ia passando e deixando os homens de bunda no chão. Em fila, disciplinadamente.”

— Didi, sobre Garrincha na Copa de 1958

“Garrincha era mais perigoso do que Pelé. Para mim, ele era um fenômeno, capaz de pura magia. Era difícil saber qual o caminho ele estava indo, por causa de suas pernas e porque ele era bom com os dois pés, tanto driblando para dentro ou para fora.”

— Mel Hopkins, zagueiro do País de Gales, que enfrentou Garrincha em 1958

“Eles começaram marcando no mano a mano. Tsarev contra Garrincha. De repente, passaram a amontoar vários outros naquele lado esquerdo do campo. Era hilariante o desmanche que Mané fazia por ali.”

— Nílton Santos, sobre Garrincha na partida contra a URSS, pela Copa de 1958

“Garrincha é um verdadeiro assombro. Não pode ser produto de nenhuma escola de futebol. É um jogador como jamais vi igual.”

— Gavril Katchalin, técnico da URSS na Copa de 1958

O Garrincha foi driblando um, driblando outro e consta inclusive que, na sua penetração fantástica, driblou até as barbas de Rasputin.”

— Nelson Rodrigues, sobre o jogo Brasil 2 x 0 URSS, em 1958

“Estávamos em pânico pensando no que Garrincha poderia fazer. Não existia marcador no mundo capaz de neutralizá-lo.”

— Nils Liedholm, meia da Suécia na Copa de 1958

 “Se ele é considerado meio burro, não posso fazer a menor idéia do que, para os brasileiros, é ser inteligente.”

— disse um cronista esportivo de Londres

“Garrincha foi a maior figura do jogo, a maior figura da Copa do Mundo e, vamos admitir a verdade última e exasperada: a maior figura do futebol brasileiro desde Pedro Álvares Cabral.”

— Nelson Rodrigues, depois da semifinal Brasil 4 x 2 Chile, da Copa de 1958

“De que planeta veio Garrincha?”

— Jornal El Mercurio, do Chile, na Copa de 1962

Conhece a ti mesmo…

Quando alguém disse que existe mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa vã filosofia, quis dizer que não sabemos, seja por alienação ou ignorância mesmo, o que se passa entre o caminho para a Missa e os Estádios, (Arenas), e acabando o percurso nas famigeradas casas de prostituição, em bom português, os puteiros, onde habitam com relativa rotatividade, mulheres de vida fácil.

A carne é fraca e o espírito é por demais malicioso. Assim, tentar conciliar a fome com a vontade de comer, resulta em 99% do esforço humano, que precisa ser dissecado individual e sobre as mesmas condições de temperatura e pressão, para se chegar a uma análise científica, mais perto da verdadeira natureza dos fatos, do que estas amostras grátis de estatísticas, que não refletem nunca a realidade, pelo simples motivo de as Estrelas não poderem ser contadas. 

Quais são as nossas necessidades primárias? O que nos causa carência? Como satisfazer nossos desejos? Como lidar com as frustrações cotidianas sem invejar a grama do vizinho?Apesar de existirem hoje pilhas de livros prometendo um atalho fácil para estas questões, a cada dia acredito mais no: ” Conhece a ti mesmo” do Sócrates, e o universo se revelará.

Sobre isso e aquilo…

Eu poderia encher 500 folhas com as minhas músicas, meus cantores/cantoras, nacionais/internacionais, favoritos. Com os filmes a mesma coisa. Meus diretores, atores/atrizes, mas qualquer um hoje em dia dá uma busca no Google: os 500 melhores filmes, as 500 melhores músicas e, como mágica, diante de nossos olhos, aparecem as listas na ordem em que você preferir, alfabética ou cronológica, com nome do compositor, do cantor, ficha técnica da banda e se bobear quantos discos vendidos. O mesmo para os filmes.

Ainda não atingi o estágio em que é possível separar o estado d’alma do estado de espírito.

Toda essa conversa fiada de terra prometida, vida após a morte, já sabemos que é conto do vigário, trapaça, artimanha, como queiram chamar, das grandes religiões para manter o homem prisioneiro de seus dogmas, cartilhas e catecismos.

Todo homem cai nessa armadilha, seja ignorante ou não. Um compra o “bilhete premiado” como se fosse gozar depois da travessia os seus prêmios. O outro acredita que encontrará, do outro lado, uma bilheteria aberta onde é possível garantir o bilhete de volta.

Esses homens tolos, que se entediam, com frequência semanal, em domingos regados à missa, tv, carteado, futebol, tv outra vez(embora atualmente os corações e mentes estejam voltados hipnoticamente para os smartphones, que hoje em dia só faltam falar, já que pra todo o resto existe um aplicativo especial); esses homens sonham com a eternidade ou imortalidade. Vão acabar de vez morrendo de tédio.

Quem nos escuta hoje em dia louvando em tom de adoração toda essa evolução cibernética da tecnologia, acaba sempre esquecendo que, não muito longe daqui, para ser mais exato, em um raio de 10 km para o norte e oeste, encontramos comunidades com esgotos a céu aberto, e estamos falando do centro da cidade do Rio de Janeiro, situada numa das regiões mais ricas do país, o Sudeste.

Da Alma e do The End

Da alma e do The End. (Livro Canção para Iara)

Esta é uma conversa fácil de levar; o tipo da conversa fiada, que a gente fia no botequim, no modo e no jeito, como Noel Rosa fez em “Conversa de Botequim”.

De todos os pontos que eu quero encontrar o ponto final é o último deles e, mesmo assim, vou tentar substituir pelo “continua no próximo capítulo”, “breve em um cinema perto de você” e, embora o meu fôlego tenha melhorado depois que parei de fumar, essa coisa de trilogia em letras soa como uma aberração.

Tive esse insight (o que é um estrangeirismo de marca maior, desde que a Light comprou a Fiat Lux) quando, na fila do banco, começou aquele zum-zum-zum, zumbido de abelhas rainhas e alguns zangões, que equivalem, na hierarquia, a família dos marimbondos.

Pra gente ver que esse sistema de castas já vem antes de Noé fazer a triagem. Todo mundo reclamando e nesse momento parece que todos têm um encontro marcado para xingar a mãe do Juiz, que só vai saber que foi ovacionada, mais de uma vez, no domingo, quando os times entrarem em campo.

Em seguida, um senhor, sem levantar a voz, com uma serenidade que faz pausar o tempo, diz: “para onde eu vou, não tenho a menor pressa”.

Sem corpo, a alma não vai a lugar nenhum, e vice-versa, disse o Saramago, como se confere abaixo:

“… O espírito não vai a lugar nenhum sem a perna do corpo, e o corpo não seria capaz de mover-se se lhe faltasse as asas do espírito.”

(Todos os Nomes–José Saramago)


Fiado só Amanhã

A gente começa falando de uma coisa e acaba falando de outra, exatamente porque as coisas tem vários ângulos, medidas, dimensões e estamos falando apenas de um universo, quando já se fala por ai, a boca solta, de mundos paralelos, sub-mundos…

Desconfio que as tabuletas colocadas já estrategicamente atrás das caixas registradoras com os dizeres: – Fiado só amanhã – não foram somente idéia de algum gaiato português mas também um sinal da crueldade do novo sistema capitalista mostrando as suas garras, que passariam a ser conhecidas como leis do mercado:


1 lei: Da oferta e da procura.

2 lei: Vale quanto pesa.

3 lei: Dinheiro na mão calcinha no chão.


O conceito de crédito veio a seguir.

E o cartão de crédito,mais uma vez, invenção de algum gaiato e não vamos aqui denegrir a imagem dos bravos comerciantes portugueses, deu o golpe fatal no consumidor final com a criação da ilusão de comprar sem dinheiro. Compre e pague depois, via fatura, boleto, carnês de crediário, cartão.

Finalizando, que o tempo é curto, diante da impaciência dos leitores, posso sustentar a teoria de que todos os complexos, não só os de inferioridade ou superioridade nasceram ou se desenvolveram após o culto de Natal, com a troca de presentes.

No dia seguinte o espírito de competição se instala quando você vê seu vizinho, amiguinho, exibindo a bola de couro nr 5 enquanto você segura constrangido a nr 1, quando não uma de plástico ou de meia.