Milongas
Chava Alberstein
Lambendo a cria.
Um escritor famoso, que gosto muito, e que não vou citar o nome, para não pensarem que estou ostentando cultura e porque ele não precisa mais de propaganda instantânea, para ser reconhecido, disse que um livro, depois que é publicado e ganha as águas do mercado, que cruzam fronteiras, e chegam nas feiras locais, nacionais e internacionais; passa a ter vida própria, a andar com suas próprias pernas, empurrado pelo boca a boca, e aqui e ali por uma crítica positiva, patrocinada algumas vezes por empresas, mais interessadas em vender um produto, do que disseminar cultura.
Atualmente, nem relógio trabalha mais de graça. Depois que inventaram os digitais, aqueles analógicos com precisão Suíça, entraram em greve indeterminada, atrasando os ponteiros das horas e dos minutos, por conseguinte, no que passamos a chamar de operação tartaruga, uma vez que uma paralisação total, geral e irrestrita, seria considerada ilegal e, portanto, sujeita a multa e outras sanções previstas no tribunal superior internacional do trabalho.
Recebi esta semana um exemplar impresso do meu livro “O Correio da Tijuca”. Como todo pai orgulhoso, corri para conhecer e lamber a cria. Nasceu enrugado e feio como nascem os bebês. Aos poucos fui folheando as páginas, olhando a capa, a contracapa, as orelhas, e a aparência aqui vale tanto quanto aquela que precisamos manter, não só no primeiro encontro, com o leitor, que vai ter um peso decisivo na aceitação do livro, e mexer com a autoestima do autor, para cima ou para baixo, a depender de seu estado emocional.
Quando é um bebê, é feito um convite de boas-vindas, com o nome, a cor, o sexo e o peso, que já vai começar a formar uma identidade social. No caso do livro, é feito um convite também, com nome do livro e do autor, E ao invés de peso, é medido por páginas, e em vez de chá de bebê, o convite é para o lançamento, e aqui o lugar, o número de convidados, vai depender, como todo evento, dos recursos disponíveis, financeiros e de divulgação.
O Sonho de Hoje
Foi um daqueles que você acorda buscando uma câmara escura ou uma impressora, para revelar e imprimir as imagens gravadas que ficarão salvas na memória do paisano, a maioria, na verdade, como vídeos, com movimento, cor, áudio.
O cenário parecia ser muito Teresópolis, o que se confirma quando alguém fala: fica ali na Várzea, entre o alto e o centro, e se referia a um hotel, que dava os fundos para uma encosta lisa de um morro, com uma enorme torre de transmissão no meio da visão da janela dos fundos.
O que mais me impressionou foram os desenhos da fachada em madeira, com portas, janelas e varandas, esculpidas como se fosse uma maquete em tamanho natural. Não consigo descrever a beleza dos entalhes arabescos nas bordas.
Estava com um grupo que, por duas vezes, se reuniu ao ar livre, no pátio e em uma quadra de esportes que estava em construção.
O sonho termina, é interrompido ou sofre um corte na edição, quando entro no hotel, e vejo alguns funcionários arrumando a mesa para o café da manhã, no salão das refeições.
Antes que eu pedisse, um deles me oferece um café expresso, tirado de uma máquina em cima de um aparador, com uma cestinha de pão de queijo.
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Curtir, comentar e compartilhar.
O velho e bom CCC, comandos que nos permitem interagir nas redes sociais, revelam muito sobre o caráter, personalidade, crença religiosa e política, das pessoas, algumas com um avatar no perfil, que já indica, ou dá uma pista, do retrato falado, como aqueles dos filmes policiais, onde a testemunha ou a vítima tenta descrever o elemento.
Hoje, depois da explosão da internet, já temos especialistas que se debruçam e estudam esse comportamento, sob todos aqueles pontos de vista, que observam o ser humano; a psicologia, a sociologia, a filosofia.
No começo, creio que com todo mundo foi assim, aquela excitação do novo, de um espaço aberto, onde podemos exercer, muitos pela primeira vez, a liberdade de dizer o que sente, o que pensa, sobre estar no mundo. Sobre este mundão de Deus, a aldeia global.
Tudo ia muito bem, até que os primeiros choques culturais começaram a ser travados, e os grandes patrocinadores, que não são bobos, nem nada, viram uma grande oportunidade de enfiar goela abaixo, sem distinção de sexo, cor, idade, posição social, os famosos anúncios, propagandas, nos fazendo de cobaia, para chegar onde chegamos: Os algoritmos.
Após anos me defendendo de ataques diários de catequese e doutrinas religiosas e políticas, optei por não comentar mais nada. Nem sobre um quadro, uma música, um livro. Hoje eu apenas curto e compartilho. Sem tentar convencer ninguém ou sugestionar. Cada um tem olhos e ouvidos para sentir. Uma sensibilidade.
Quando o ditado diz: Religião, Política, e futebol, não se discute; assim como não se discute com bêbado, é porque é fruto da sabedoria popular. Assim como aquele outro: Pente, escova de dente e mulher não se empresta. Nem para os melhores amigos.
Playlist para a Virada do Ano
Retrospectiva ou Balanço de Lucros e Perdas, Rendas a receber e Provisão para pagamentos a efetuar.
Perdoem o título longo. Ainda é memória de um bancário, que virou muita noite de ano novo, fechando balanço.A coisa hoje tá mais simplificada. Podemos dizer: Orçamento e Custo e Benefício.
Ao fim e ao cabo, significa colocar na balança, os respectivos pesos; em um prato as conquistas, pessoais e profissionais ( para aqueles que continuam na batalha pelo pão de cada dia). No outro, as perdas, os fracassos profissionais, os relacionamentos acabados, os amigos e familiares que partiram, para a grande viagem de volta para casa.
No meu caso, retirado em 2004, aprendi que o inventário é diário e mensal. Se as receitas cobrirem as despesas, e chegar ao fim do mês no azul, tá bom demais da conta!
Foi um bom ano! Apesar de ter perdido um irmão (gêmeo), o Zeca, e um grande amigo, o Ney. Tive alguns acidentes de percurso, mas consegui passar por eles, e sou muito grato por isso.
Consegui alimentar o meu Blog, com artigos variados e playlist de músicas, que compartilhei com a família e amigos, no Facebook e no WhatsApp
Li ótimos livros. Vi alguns filmes e séries que gostei. E no estouro do cronômetro, no dia 30 de Dezembro, consegui fazer, igual ao Stephen Curry, uma cesta de 3 pontos: Publicar em uma destas plataformas que permitem a novos autores fazer uma edição sob demanda, a custo zero.
Para não perder a oportunidade, segue o comercial: Livro” O Correio da Tijuca” – Clube de Autores. Em breve, numa banca perto de você.
Feliz ano novo a todos. Com muita saúde, paz e amor.
Cinco Marias (Tia Maria)
Por motivos que vou descrever abaixo, a Tia Maria, das cinco do título, era a única que se chamava Maria, e tive durante alguns meses a oportunidade de conviver com ela e as filhas, minhas primas. E assim ter um sentimento de gratidão e afeto, que não tive oportunidade de expressar enquanto ela estava viva.
No ano de 1964, quando tivemos que voltar para Rio Grande, para eu não perder o 4 ano do ginásio, fui acolhido pela Tia, que morava em um cortiço, cabeça de porco, em um beco no Bairro Floresta. Uma peça de madeira de dois quartos, uma sala e cozinha e a casinha de banhos nos fundos do terreno, que lá no sul se chamava de patente.
Viúva, com 4 filhas lindas com nome de índias: Iara, Ierecê, Ione e Islândia. Criadas e disciplinadas para serem donas de casa, a opção da hora, para moças pobres e sem estudo. A casa era um brinco de limpeza.
A Iara, A Ierecê e a Ione já tinham namorados firmes de frequentar a casa e acabaram se tornando maridos.
A Islândia era a mais nova e era mais moleque, gostava de andar na rua, brincando com os meninos. Mais tarde, casou também.
A Tia trabalhava como camareira em um hotel.
Depois que a Iara e a Ierecê casaram, foi morar em uma casa destas de conjunto habitacional em um bairro mais distante. A Ione morava com ela e trabalhava nas lojas americanas no centro.
Uma vez por mês vinha nos visitar na casa da Campos Velho, no Cristal. Trazia sempre um embrulhinho na mão, de pão, de biscoito ou de frutas. Era muito vaidosa e andava sempre de tubinho e batom. Amava a vida, era alegre e faceira, sem ser vulgar.
A história dela merece ser contada, porque é de superação. Como de muitas Marias por este Brasil afora , abandonadas por maridos alcoólatras.
A Islândia é a que mais herdou este espírito dela e a integridade. E que hoje mantém um vínculo afetivo com a família Wyse.
Espero que ela, a Iara, a Ierecê e a Ione, gostem desta pequena homenagem.
O homem que amava os quadrinhos, as tirinhas, os quadradinhos.

No livro “Cadernos de Lanzarote” – Vol. II – Pag. 302/303, José Saramago revela que gosta de quadradinhos, como ele fala:
“Confesso que gosto de muitos destes bonecos, do Calvin & Harold, do Snoopy, do Garfield, daquela Mafalda sábia e subversiva de quem continuo a ser discípulo fiel.
Em geral, havendo por perto testemunhas, tenho a fraqueza de olhar para eles meio disfarçadamente, com medo de que se pense que o autor da “História do cerco de Lisboa”, afinal de contas, não é este, mas outro…”
E ao encontrar uma tirinha do Caco Galhardo no jornal Folha de São Paulo, onde ele é citado, finaliza: ” Pensei então, deliciado: Eis-me personagem do mundo dos quadradinhos, eis-me, enfim, imortal. A partir de hoje. Tenho um lugar garantido no Panteão…E. claro, ali mesmo jurei que nunca mais voltaria a esconder-me para saborear os cinismos implacáveis do Garfield e fingir indignações contra ele.”
Eu sempre fui apaixonado. Até porque a minha iniciação literária se deu lendo Gibis. Se eu puxar um álbum do Facebook com todas as minhas publicações, vocês vão ver, que noventa por cento, é de tirinhas, do Hagar, Mafalda, Snoopy e a turma do Charlie Brown, Zé do Boné, O Mago de Id, B.C. Garfield e as tirinhas que eu capturava dos jornais.
Nos anos 70 tinha as Revistas A Patota e a Grilo, que traziam os melhores quadrinhos e cartunistas do mundo. Eu tinha toda a coleção completa.
A grande revelação do ano que estou curtindo muito é as tiras diárias de Pickles Comics de Brian Crane cfe. Acima.