É no andar da carroça que as abóboras se acomodam.

É no andar da carroça que as abóboras se acomodam.


Doravante, que significa de agora em diante, daqui pra frente; vou adotar aquela recomendação que acompanha qualquer exame de urina: despreze o primeiro jato e recolha o necessário para encher o potinho e descarregue o excedente no vaso.

Assim, a primeira idéia veio com certeza, por conta de no sábado assistirmos ao filme “Mãos Talentosas” um dos filmes mais motivacionais que eu vi nos últimos anos e que é baseado em uma história real.

É a história de um talentoso médico neurocirurgião que teve uma mãe,  negra, pobre e faxineira com 2 filhos e que os motivou a superarem todas as barreiras emocionais e sociais.

A Tânia durante o filme fez o comentário: –  Igual a Dona Amália,
minha mãe.

Desta vez não descartei a idéia por ser desinteressante, mas sim porque entendi, que ela, Dona Amália, Tia Maria e Tia Jacira, (Que ainda vive graças a Deus) merecem uma homenagem a altura ; uma vida digna de um filme.

Já tenho o título na cabeça há algum tempo. As Cinco Marias. Crônica que vai fazer parte do próximo livro.

Para justificar o título deste post, andei muito a pé, de bicicleta, de bonde, de trem, de barca, de ônibus local e interestadual, de carro, caminhão e de carroça mesmo até chegar aos aviões. Nacionais e internacionais. Não aprendi a andar de cavalo, o que não chegou a embaçar a minha origem gaúcha.

O Editor e seu labirinto

O bom de você ser o editor do seu blog, é que você não tem um chefe te cobrando prazos, nem patrocinadores exigindo resultados de audiência, afinal uma coisa leva a outra e quem não é visto não é lembrado, primeiro princípio de qualquer anúncio, estampa, propaganda, seja em que veículo for.

O ruim é que você tem que produzir seu próprio conteúdo e isto exige concentração, foco e disciplina, coisas difíceis de se conseguir sem esforço e com as distrações diárias pipocando nas redes, e estou falando apenas do Face e do Zap.

Claro que existem temas universais que sempre vão atrair atenção do seu público, e aqui começa o processo de diversificar para tentar acertar na comunicação.

As novelas e os folhetins são populares porque expõem o caráter humano no dia a dia com seus personagens, mocinhos e vilões tecendo na teia da vida suas conquistas, suas traições e despertando inveja e alimentando fantasias.

Uma vez, uma garçonete de um bar que eu frequentava no centro me disse:  – Esta história de o patrão rico casar com a empregada é coisa de novela. Casou com o colega de trabalho, que era um barman que não ficava nada a dever a aqueles dos filmes americanos. Sabia servir e principalmente ouvir as queixas e lamentações, tanto dos trabalhadores comuns, como de alguns gerentes e executivos.

O Correio do Povo

O jornal “O Correio do Povo” de Porto Alegre, era um jornal com um tamanho maior do que os jornais comuns. Era ideal para ser usado por detetives, investigadores, quiçá, agentes secretos porque cobria o corpo inteiro, naquelas missões de seguir os suspeitos conforme a gente via nos filmes, normalmente sentados em estações de trens e aeroportos, portões de saída para quem está fugindo.


A edição de domingo era um calhamaço que pesava uns 2 quilos. Graças ao caderno de classificados, dividido em categorias. Imóveis, compra e venda e aluguéis. Carros novos e usados. Móveis. Classificados de serviços profissionais, e o restante com os cadernos tradicionais: Noticiário policial, político, esportivo e Coluna social, onde os comentaristas tinham suas colunas personalizadas. Eu gostava mesmo era do caderno de variedades onde tinha palavras cruzadas, jogo dos 7 erros, jogo da velha, quadrinhos e sempre uma informação relevante no quadro você sabia?


Olhando hoje para a infinita variedade de apps para passatempo disponíveis, gratuitamente alguns
, outros pagos, nas lojas de aplicativos, fico impressionado.

Meu primeiro teste como editor foi em um jornalzinho no banco que tinha a pretensão de ser um elo de comunicação comunitária. Teve vida curta. Não chegou a 10 edições mensais.No cabeçalho vinha escrito embaixo do nome:  -Um jornal que não serve para embrulhar peixe.

Voltando ao Correio do Povo, nas Segundas-feiras, os peixeiros faziam a festa, tinham jornal pra semana inteira.

Mensagem em uma garrafa

Mais do que a mensagem encontrada na garrafa, a reflexão produzida a seguir merece uma atenção maior do que um rolar a tela sobre um texto que não carrega nenhuma imagem. Nenhuma imagem? E a sua imaginação a quantas anda,  em que bandas caminha?

A minha, que estava perdida também, tentando fugir da realidade da pandemia; como se fosse possível, com os telejornais jorrando um progressivo obituário coletivo, voltou ao seu ponto de origem, ao seu centro.

Se pessoas estão morrendo, pessoas estão confortando os familiares. E pessoas estão nascendo trazendo esperanças novas e restabelecendo o equilíbrio para um mundo melhor.

Neste exato momento pessoas estão trabalhando, criando, escritores, poetas, músicos, atores, para nos ajudar a atravessar estas ameaças com força, fé e esperança.

Quando puxei hoje a rede do Instagram.  lá estava ela,  a garrafa com várias mensagens: Crônicas Amarelas.

Agora vou publicar este post e jogar no mar da grande rede da internet. Enquanto escuto João Bosco cantando “Corsário” com a introdução do poema de Maiakovski, “E então, o que quereis?

Fiz ranger as folhas de jornal

Abrindo-lhes as pálpebras piscantes.

E logo de cada fronteira distante

Subiu um cheiro de pólvora

Perseguindo-me até em casa.

Nestes últimos vinte anos

Nada de novo há

No rugir das tempestades

Não estamos alegres,

É certo,

Mas também por que razão

Haveríamos de ficar tristes?

O mar da história

É agitado.

As ameaças

E as guerras

Havemos de atravessá-las.

Rompê-las ao meio,

Cortando-as

Como uma quilha corta

As ondas

Composição: João Bosco / Emilio C. Guerra / Aldir Blanc / Vladimir Maiakovski.

Existo, logo penso.


E lembro logo da música “Felicidade” de Lupiscinio Rodrigues que diz:  – O pensamento parece uma coisa a toa /  mas como é que a gente voa quando começa a pensar.


Quem pensa,  pensa sobre alguma coisa ou alguém, que nos desperta pensamentos, resultado imediato de emoções de primeiro, segundo ou terceiro grau. E a depender desta emoção nascem pensamentos positivos ou negativos que vamos processando e digerindo diariamente.


Todo mundo pensa. Alguns mais outros menos. Alguns na morte da bezerra e estão sempre sérios e cabisbaixos . Outros não esquentam a cabeça com nada e para estes, o mundo  deve ser como um parque de diversão e aqui abro um parêntesis para o primeiro comercial cultural, conforme o filme (“A insustentável leveza do ser” baseado no livro do Milan Kundera), demonstra, com as magníficas atuações de Daniel Day-Lewis e as atrizes Juliette Binoche e Lena Olin.



A medida que vamos crescendo passamos a  entender melhor  quais pensamentos são nossos e quais são fruto de minhocas colocadas em nossa cabeça e acrescentamos mais um ingrediente no cardápio pensar: O pensar coletivo. E uma vez que somos seres sociais não podemos mais fugir de um inevitável destino político ideológico; é quando então nos associamos aos clubes e partidos que acabam por nós rotular e definir como republicanos e democratas.


Houve um tempo recente na história do Brasil de triste lembrança,  onde um funcionário público tinha que profetizar sua fé política: ARENA ou MDB.


50 anos depois …

Este texto demorou seis dias para ser finalizado. E para ser honesto não gostei. Como se diz, foi mais para cumprir o prazo do editor.


Doravante vou focalizar mais nos temas que são a minha praia. Música ,Literatura, Cinema e Futebol.

Bloco de Notas

Encontrei este texto no meu Bloco de Notas e pela data ainda não tinha começado oficialmente a publicar o Blog Sala de Redação. Acho que postei no Facebook, mas fiz uma busca e não encontrei. A data era 30 de Março de 2020.

Nestes tempos em que o nosso inalienável direito de ir e vir está comprometido, por um vírus que rompeu todas as fronteiras geográficas conhecidas e nos submete a uma quarentena que não tem tempo para acabar, todos nós vamos ter bastante tempo para refletir e pensar sobre quais são mesmo os valores que estamos cultuando e exercitando nesta imensa aldeia global.

Chegamos aonde estamos graças aos que vieram antes de nós. Os pioneiros, os antepassados, que forjaram todas as ferramentas para construir um conceito social de união para preservação da espécie. Da caça ao plantio foi um longo caminho. Existem livros que descrevem isso com muita autoridade. Quando se estabeleceu o primeiro conceito de Mercado é que a coisa começou a mudar de figura e o “vale quanto pesa” passou a ter a sua paridade medida em ouro.

Neste momento em que a saúde e a  educação foram incluídas na categoria dos negócios é que a grande equação começou a substituir o sinal de igual (=) pelo sinal de subtrair (-). Senão vejamos:  A sociedade criou um imposto coletivo exatamente para que todos membros tenham sem distinção direito a saúde e Educação. Criou-se então o conceito de público e privado, estabelecendo já um novo cenário de custo e beneficio, onde quem quer mais conforto e privilégios, pagam mais por isso. O que traduzindo na linguagem fiscal, qualquer um, entende como Bi-tributação.

A famigerada lei de mercado, oferta x procura (demanda), cada dia mais se afirma em cima do ditado: – Farinha pouca, meu pirão primeiro! – O que nos leva a insanidade das guerras, locais, globais. E considerando as que já passamos, as guerras civis e as duas grandes guerras, podemos afirmar , que de nada nos serviu , didaticamente, em nenhum sentido. A começar pelo comportamento moral, ético e racional., submersos por um mar de corrupção, cuja genética estrutural começou a ser instalada há tanto tempo que perdemos o fio da história e não encontramos mais a origem.

“2020 – O Ano em que vivemos em perigo…”

Primeiramente agradecer a Deus por ter atravessado com saúde espiritual, mental e emocional os desafios que se apresentaram durante está travessia; segundamente ( achei engraçado ontem na televisão uma mulher falar assim) e hoje estou repetindo; errado ou não, ela conseguiu se expressar; então; agradeço a Tânia minha Mulher Maravilha que assumiu 90 por cento da carga de ter que cuidar da casa, dos cuidados sanitários com as compras e com a minha saúde e da mãe dela que gerou muita tensão e preocupação também e que acabou gerando uma dor de estômago que a obrigou a rever toda a sua alimentação.

O isolamento serviu a mim para aprender a usar o WordPress que me permitiu hospedar oficialmente o meu site e fazer a sua manutenção o que me deu e está dando muito alegria. E ajudou também a praticamente criar um novo site de uma organização não governamental que me deixou muito feliz em poder assumir a manutenção sem depender de terceiros.
Para vocês terem uma ideia passei o mês de abril copiando, colando e agendando uma reflexão diária para o ano inteiro, uma por uma. Para o ano que está entrando bastou agendar mudando apenas a data do ano. Edição rápida.

A grande bonificação do ano foi a Júlia anunciar em dezembro que conquistou a cidadania Australiana após 8 anos de estadia, com muito trabalho e estudos.

Acabaremos hoje com o 18 episódio a série “This is Us” disparada a melhor série que eu já vi e está me ajudando a rever os meus preconceitos, minhas homofobias. A segunda muito boa também apenas mais fantasiosa envolvendo viagem no tempo foi Outlander.

Quando a vacina chegar vou tirar todo o atraso. Viajar para Barcelona e Austrália com a minha fiel escudeira é claro.

Como primeiro comercial do ano estou oferecendo meus serviços de home office para quem quiser fazer o IR ou construir um site pessoal ou até mesmo comercial de pequeno porte. Não é probono.

Agora vou entrar no modo avião, desligar as notificações e cuidar de atender só o essencial.
Feliz Ano Novo a todos
!!

Nochevieja

Nochevieja

Descobri ontem lendo o jornal El País, edição digital, que Nochevieja significa véspera de ano novo.
Achei poético por gostar muito de espanhol e conseguir mesmo ler um livro, embora me atrapalhe na hora de falar.

Então a celebração do ano novo é isso. Despedir-se do ano velho e dar boas vindas ao ano novo e neste momento entram em cena as crenças e superstições de cada um enraizadas e passadas de geração em geração.

Sempre gostei de passar este momento em casa, no máximo em Petit comitê . A coisa boa da passagem deste ano, se é que se pode falar isso, é que não vou precisar inventar desculpas para não ir a festas de reveillon  em casas,  praias ou hotéis.

No ano passado fizemos a ceia na casa da minha irmã mais velha que mora em Copacabana e as 11 horas pegamos o metrô vazio no sentido contrário em direção a Tijuca onde assistimos a queima de fogos e a festa da  virada pela televisão.

Este ano a passagem vai ser mais silenciosa e acho que todo mundo devia fazer 10 minutos de silêncio em nome dos que foram vitimados por está pandemia. Mas acho que é pedir demais para quem não consegue fazer nem um minuto de silêncio antes das partidas de futebol. Feliz Ano Novo a todos.

Primo Rico X Primo Pobre

Primo Rico x  Primo Pobre



Prometi a vocês um post sobre primo rico x primo pobre e vou contar uma história real onde eu fiz o papel do primo rico. Na época me afetou bastante, conforme vocês vão poder observar abaixo. Mas antes preciso esclarecer que este é mais um daqueles assuntos que expõem as nossas mazelas estruturais, essa palavra tão em voga e que não precisamos mais de ninguém botando fogo na fogueira das desigualdades sociais.

Tenho consciência suficiente hoje em dia para saber de onde vim, onde estou e para onde todos vamos quando chegar a hora final, e como disse João Bosco  na canção,  As Minas do Mar, …  Aprendi que safiras, cristais, cordas podres, pro mar são iguais.

Em 1979 aluguei o primeiro apartamento para morar sozinho em uma casa de  vila, na rua Manoel de Abreu na Tijuca. Apto térreo com uma garagem e uma área que me permitiu ter um cachorro. Um dálmata que tinha o nome de Charlie em homenagem ao Chaplin. Já estava namorando a Tânia e preparando o casamento.


Um dia bateu a minha porta um primo, um dos muitos filhos de um tio que morava em São José do Norte, uma barca de distância de Rio grande. Já havia batido na casa de uma irmã que o encaminhou, eu era solteiro e tinha mais espaço.


Chegou dizendo que tinha desembarcado de um navio vindo de Santos que estava com muita dor de cabeça . Esta criatura que eu acolhi, dei inclusive dinheiro para comprar droga e paguei a passagem de volta para o sul, roubou uma máquina de escrever portátil lettera italiana que eu havia ganho de uma amiga. E deve ter vendido por 5 reais na praça onde tinha aquela turma que fumava e etc..


Fiquei furioso e cheguei mesmo a desejar a morte dele. Mais tarde fiquei sabendo que tinha levado um tiro mas não morreu. Vamos combinar:  – Você morar no Rio à 10 anos e nunca ter sido assaltado e vir um cara com o teu sangue percorrer está distância toda, é ou não é demais.

Enquanto a Inspiração foi ali…

Depois que voltei dos médicos com a avaliação dos exames, a inspiração, aquela que alguns poetas românticos chamam de Musa, resolveu dar uma voltinha, afinal ela já me conhece e sabe que eu fico insuportável com aquela irritação tão parecida com a da abstinência do cigarro, do álcool e do sexo.

Para agravar a tensão este cenário de velório coletivo acaba com qualquer boa intenção de tentar escrever algo mais leve e com alguma esperança de pelo menos por um momento afastar as nuvens sombrias do medo e da depressão.


Quando se está em um voo a dois mil metros de altura
, o comissário de bordo indicar que existe 2 portas de emergência e assentos flutuantes para  o caso de um pouso forçado no oceano, e não menciona em nenhum momento a existência de um paraquedas individual não ajuda muito um  paisano a relaxar .

O povo, o inventa línguas, como muito bem disse Maiakóvski sabe muito bem se defender nestes momentos críticos. E recorre sim ao cigarro, álcool, drogas  e remédios controlados ou não, e como disse  Chico Buarque na música, “Meu Caro Amigo” , sem a cachaça ninguém segura este rojão.
Eu prefiro a cerveja.


Até os 53 anos fiz uso compulsivamente destes recursos menos drogas e remédios controlados, para aguentar o estresse do trabalho e as tensões emocionais do dia a dia.

Hoje recorro a música, a poesia, a literatura, cinema e a filosofia dos 12 passos em cuja essência está a sabedoria de viver um dia de cada vez,  muito  aplicada nos grupos anônimos ao redor do mundo.

O dia de amanhã tem seus próprios cuidados. Isto deveria ser suficiente para nos tranquilizar.