Tempo, tempo, tempo, tempo…

O tempo no sentido espacial da palavra, não no sentido climático, abraça e concede a todos, não o mesmo , que escorre para cada um como a areia da ampulheta.Mas aqui entramos na metafísica, terreno de areias movediças, assunto para filósofos e doutores. Encontrei nos versos de Martim Fierro, em um desafio com um moreno, uma definição mais acessível e poética, de se entender:



Moreno, vou te dizer

Segundo meu saber alcança,

O tempo é só um atraso

Do que está para vir.


Não teve nunca princípio

Nem jamais acabará,

Porque o tempo é uma roda

E roda é eternidade.


E se o homem o divide,

Só o faz, em meu sentir,

Para saber o que há vivido

ou lhe resta para viver.



Há um tempo para nascer. Um para morrer. E nesse intervalo, tempo para ser criança, brincar de ser imortal. Tempo para estudar, trabalhar, praticar esportes, ter atividades culturais, ler, ouvir música, ver filmes, assistir a peças teatrais e de circo. Tempo para casar, ter filhos ou pets, ou melhor ainda, os dois. Tempo para o social com os amigos e a comunidade, normalmente nos templos e clubes. Tempo para plantar e para colher. Tempo para as estações.

Alguns chamam de fases, outros de estágio, adotei depois de começar a assistir a NBA, basquete americano,que estou no terceiro quarto, rezando para chegar ao último quarto, onde ao fim e ao cabo, o jogo chega ao fim, e o resultado, vitória ou derrota, não tem mais importância, assim como os julgamentos e comentários alheios.

Hoje quando acordei me senti dentro de um elevador com outra pessoa, como o outro EU, que me dizia silenciosamente:  você com todo este teu banco de dados de palavras, acumulado na leitura dos grandes mestres da literatura, não é capaz de escolher um tema para a crônica de hoje? Com tantos assuntos em moda, como a COP 30 que está nesse exato momento discutindo os efeitos climáticos, enquanto furacões e ciclones desfilam pela América Central e do Sul.

Como sempre acontece nestes silêncios perturbadores, falei: Esse tempo tá esquisito, não é?

Por: adolfo.wyse@gmail.com

3 thoughts on “Tempo, tempo, tempo, tempo…

  1. Leio com imenso prazer tudo o que você escreve ou posta outros trabalhos de autores preferidos. As últimas crônicas, como sempre bem boladas e de escrita atraente, me causaram agradável impressão. A lembrança do Velho Zé tem algum paralelo com o Avô Nazista (Marcos)? Reporta-se à infância e adolescência quando a paixão pelas coisas só entra pelas portas do “não”.
    A dificuldade em escolher um tema para sua crônica faz você divagar e filosofar sobre o tempo(é só um atraso do que está para vir) e escrever com singeleza auxiliado pelos versos de Martim Fierro.
    Conclui-se que no nosso existir precisamos contar com uma rede de proteção para nos amparar, sustentar, motivar. Os amigos fazem parte dessa rede.
    FELIZ NATAL e um ANO NOVO BOM!

  2. Bom dia Amandio!
    Muito feliz com o seu comentário.
    Não foi a toa que te escolhi como padrinho do livro O Correio da Tijuca.
    Um Feliz Natal e Ano Novo Bom também.

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