Solidariedade Feminina

Como quase todo domingo , eu e Tânia pegamos o metrô na estação São Francisco Xavier, ao lado de nosso prédio, para ir caminhar em Copacabana. Era uma composição destas novas, toda aberta, com bancos laterais dos dois lados. Estava ainda vazio e na próxima estação entrou uma jovem mulher com dois filhos. Um no colo com três anos de idade e segurando o braço do outro maior, com sete anos mais ou menos. Ela sentou no banco em frente e sentou um de cada lado. O maior, como toda criança faz, se agarrou naquele ferro no centro do carro e começou a rodar. A mãe pediu para ele parar e o puxou para o banco e ficou segurando o braço dele. O garoto se soltou e repetiu por duas vezes o movimento quando a mãe começou a alterar a voz para que ele parasse. Quando ele parou, mordeu o próprio braço. O pequeno ficou nervoso com toda a agitação, puxou a blusa da mãe e começou a mamar no seio esquerdo.

Neste momento, a Tânia levantou e sentou ao lado do garoto maior e começou a conversar com ele que foi ficando calmo. Foi quando olhei para a mãe e vi que chorava copiosamente.

Uma jovem mulher negra que havia sentado ao nosso lado com duas amigas e tinha acompanhado toda a situação levantou e sentou ao lado da mulher, abraçando-a e alisando o braço direito dela.
Quando chegou em Copacabana, observei que a mulher já não chorava.

Descemos e me senti agradecido por ser testemunha de um gesto tão grande de compaixão, sobretudo humano
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Por: Adolfo.wyse@gmail.com

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