Uma vez comentei em um texto seu que estava salvando seus posts para fazer um estudo de escrita criativa. E disse também que quando pensava que você tinha esgotado todos os assuntos, você nos surpreendia com novos textos. E finalizei dizendo que tinha entendido que a experiência humana é inesgotável.
Confesso que não consegui levar adiante o estudo. O que não quer dizer que não foi produtivo. Apenas não estava mais conseguindo acompanhar o teu ritmo. Tenho salvo todos os posts, alguns para ler depois quando estiver com mais boa vontade.
A necessidade de fazer um novo comentário nasceu depois de ler o texto, o primeiro de uma série que você nomeou como Filtrando o Humano, com o título de “A ilusão do Autoconhecimento.“
Segue o link para verem o texto original:https://www.facebook.com/share/p/16o9zA968T/
Não sou crítico. Não tenho a capacidade de analisar ou avaliar tua escrita que cheguei a comentar com alguns amigos, e espero que você entenda isso como um elogio, que é tão perfeita que me levou a pensar que foi produzida por IA.
Mas fui imediatamente linkado para um poema de Maiakovski, chamado “Incompreensível para as massas”. Uma resposta a um crítico. Que, de camponeses e operários só conheceu dois. E que termina assim:
“Logo: que se eleve a cultura do povo!
Uma só, para todos! O livro bom e claro é necessário a vós, a mim, ao camponês e ao operário.”
Quanto ao autoconhecimento, o velho e bom conselho, “conhece-te a ti mesmo”, é tarefa pessoal e intransferível , e o Zen Budismo nos diz: “Essas coisas vos são apresentadas e, a partir de agora, tudo vos é dado. Para os inteligentes, uma só palavra bastará para convencê-los da verdade, e, no entanto, o erro já se infiltrou. Tal é o caso quando recorremos ao papel e à tinta, quando nos entregamos a uma demonstração verbal ou às argucias da lógica: A verdade afasta-se mais e mais.
A verdade profunda do Zen pertence a todos. Empenhai-vos em buscá-la em vós mesmos, na profundidade de vosso ser, não tentei alcançá-la pela mão do outro.
Vosso próprio espírito está além das fórmulas. É livre, pacífico e suficiente.” – (Ian-U)
Me encontro na turma dos inteligentes, que aprenderam a ler e a escrever. Que leu muitos livros, viu muitos filmes e que teve um despertar espiritual ao ser resgatado de um fundo de poço por uma destas irmandades de doze passos, aos 47 anos. Mas que está longe de ter encontrado a verdade. Melhor dizendo, não saber o que fazer com ela. E que adoro o budismo como filosofia, mas na prática não sou muito católico, aquele cara que vai à missa diariamente e não pratica o amor ao próximo, como mandam os evangelhos.
Mas todo dia eu busco melhorar. É um exercício diário e não tem como abandonar a academia. Quando aprendemos a aceitar as nossas imperfeições e conhecer nossos limites, começamos a aprender a aceitar o outro. É o primeiro passo para aprender a amar o próximo.