A Gangorra

Como todo bom paisano, tive e tenho meus altos e baixos, nesta gangorra da vida, e agora é irrelevante ficar fazendo conta de cabeça, para saber o que pesou mais. No momento todo o exercício diário consiste em tentar manter o equilíbrio da balança. O caminho do meio.

Depois do terceiro quarto, o corpo começa a dar sinais de cansaço, começa a diminuir a produção daqueles hormônios e vitaminas, tão essenciais para alimentar as células e manter os sistemas ativos e saudáveis.

E o que acontece no corpo reflete na alma e vice-versa, como diria Dario, o jogador pensador, preferido do Gal. Medici.

Assim, não só precisamos repor estes nutrientes com suplementos alimentares, como cuidar do estado emocional, com a ajuda de profissionais, psicólogos, terapeutas, grupos de autoajuda.

Os aposentados são os que estão no primeiro grupo de risco, quando deixam de produzir e começam a sentir a rejeição social. Alguns poucos que conseguiram fazer um pé de meia para complementar um limitado teto de aposentadoria, tem mais chances de compensar essa improdutividade com atividades manuais, culturais, serviços voluntários de cunho social.

Um dos piores e mais nocivo dos sentimentos, é o de estar cumprindo tabela de um campeonato que não pode ser mais conquistado. A melhor maneira de combater esse sentimento é entender que a vida não é um jogo, uma competição. A vida é uma jornada individual por um caminho coletivo, e vamos todos nós, mais cedo ou mais tarde, encontrar nosso destino.

A sabedoria embutida aqui é aquela disseminada em todas as doutrinas e tratados filosóficos, que diz: A alegria de brincar na gangorra é saber que precisamos de alguém sentado na outra ponta, para o movimento de subir e descer, altos e baixos, acontecer.

Neste exato momento, meu caro leitor, dia de domingo no parque, tem alguém sentado em uma gangorra esperando chegar algum paisano para começar a brincadeira, que pode ser eu ou você.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

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