O circo chegava à cidade como uma caravana, puxada por uma banda de palhaços cantando, dançando e fazendo palhaçadas, seguida pelos carros que serviam de casa e de transporte do material e pelas jaulas dos leões, tigres e elefantes, as maiores estrelas do espetáculo.
Nas cidades pequenas do interior era o programa de fim de semana, as matinês de sábado e domingo com uma programação para a família inteira. Os palhaços, os trapezistas, o Domador, o Homem Bala, o Globo da Morte.
Com a chegada da televisão, os circos foram perdendo espaço, perdendo audiência, e o filme Bye Bye Brasil, mostra isso, quando a caravana itinerante chega em uma cidade, e alguém observa: Espinha de peixe. (Antenas de televisão.)
O último circo de que tive notícias foi o do Orlando Orfeu, muito conhecido. A geração mais nova vai citar o Cirque du Soleil, que tem no seu corpo, os melhores artistas do mundo. E tem turnês agendadas em vários países em uma temporada.
A televisão assumiu o papel de levar o circo ao povo, com o sinal sendo levado a muito mais gente em todo o país. E a aldeia se tornou global. E começaram a chegar as séries enlatadas, os programas de auditório, as novelas produzidas aqui com muita qualidade, grandes autores, grandes artistas, programas humorísticos, que captaram corações e mentes de norte a sul do País. E o futebol, a grande paixão nacional, passou a ser transmitido ao vivo e a cores.Um luxo para aqueles que conseguiam no máximo ir a um estádio ver o seu time no campeonato regional.
Mas como não existe almoço grátis, no meio da programação havia uma pausa para os comerciais. Onde os grandes patrocinadores já usando técnicas antigas de venda, conhecidas hoje como Marketing, e utilizando os próprios artistas como garotos/as-propaganda, oferecem de tudo, de utilidades domésticas para as donas de casa, do lar como se diz hoje, e para os homens, bebidas, carros, cigarros, que demorou muitos anos para ser abolido. Precisou o vaqueiro do Marlboro e muitos outros morrer para iniciar uma campanha de utilidade pública.
Com a chegada da Internet, a coisa foi elevada a uma potência impossível de se medir. Todos os limites de moral e bons costumes são ultrapassados em uma via onde o bem é o mal trafegam juntos.
E chegamos naquele ponto sem retorno, onde não podemos mais ignorar o circo. Temos o poder de controlar o controle da TV? Eu tenho o poder crítico de selecionar o que eu quero ver. Já é alguma coisa! As novelas e programas de auditório já não assisto há muito tempo.
E o celular? Consigo ignorar? Consigo viver sem ele? Não! Procuro filtrar os assuntos de meu interesse, mas não dá pra bloquear a enxurrada sistêmica das propagandas. É como enxugar gelo.
Assim como o dinheiro não tem caráter, essas mídias também não tem. Cabe a cada um usar seu celular da maneira mais positiva e produtiva possível.