Arquivo mensal: Janeiro 2026

Celebrar a Vida

Ontem, fiz aniversário e postei no Facebook : versão 76.0 – Atualização em progresso…

Consegui resistir ao impulso de compartilhar um texto do Leonardo Padura, escritor cubano, postado por uma fã no Facebook, chamado Celebrar a Vida, onde me vi identificado de corpo e alma.

Ele fez 70 anos em 2025 e começa escrevendo que Ernesto Hemingway e Trotsky morreram com 62 anos e eram chamados de “Velhos”. E fala:

“Independentemente do rótulo lamentável que me atribuam — idoso, velho, da terceira idade —, o número avançado, e eu diria quase obsceno, que carrego me envia um aviso inegável: tenho mais passado do que futuro, e o fato que confirma isso é matemático.”

“Mas, ao chegar a esta idade em que estou agora, todo esse passado precisa necessariamente delinear um futuro. A coisa mais terrível que pode acontecer a quem chega a esta fase da vida é não ter expectativas para o futuro ou sentir-se distante do próprio destino. E, felizmente, esse não é o meu caso, e sei que não é o caso de muitos outros que estão nesta fase da vida.”

No meu caso e com  minhas palavras já disse em um artigo publicado no blog O Correio da Tijuca que entrei como um jogador de basquete no último quarto do jogo, com a consciência plena de que a vida não é um jogo como muitos pregam por aí.
Escrevi também que o pior sentimento é aquele de estar cumprindo tabela, sem mais nada a desejar, deixar de ser produtivo.

Ouvi ontem da minha irmã Luemy junto com as felicitações de aniversário:

“Você já passou por tanta coisa. Agora pode fazer o que quiser.”

O conselho é tentador, mas sabemos que não é bem assim.
Prefiro trocar o fazer o que quiser por fazer aquilo que  ainda posso e gosto, como: ler, escrever, ver filmes e séries, ouvir música, assistir a NBA, o futebol nacional e internacional, viajar quando possível e para onde o orçamento permitir.

Por fim, e não menos importante. Viver a “sensação de vulnerabilidade e plenitude que vem de sentir e receber amor, essa maravilhosa faculdade da condição humana.”  Extraído também do texto “Celebrar a vida – Carta de Havana” de Leonardo Padura.

Agora vou fazer uma playlist com as músicas que fazem a minha alma vibrar. Depois eu compartilho.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Meu Caro Oliver Harden

Uma vez comentei em um texto seu  que estava salvando seus posts para fazer um estudo de escrita criativa. E disse também que quando pensava que você tinha esgotado todos os assuntos, você nos surpreendia com novos textos. E finalizei dizendo que tinha entendido que a experiência humana é inesgotável.

Confesso que não consegui levar adiante o estudo. O que não quer dizer que não foi produtivo. Apenas não estava mais conseguindo acompanhar o teu ritmo. Tenho salvo todos os posts, alguns para ler depois quando estiver com mais boa vontade.

A necessidade de fazer um novo comentário nasceu depois de ler o texto, o primeiro de uma série que você nomeou como Filtrando o Humano, com o título de “A ilusão do Autoconhecimento.

Segue o link para verem o texto original:https://www.facebook.com/share/p/16o9zA968T/

Não sou crítico. Não tenho a capacidade de analisar ou avaliar tua escrita que cheguei a comentar com alguns amigos, e espero que você entenda isso como um elogio, que é tão perfeita que me levou a pensar que foi produzida por IA.

Mas fui imediatamente linkado para um poema de Maiakovski, chamado “Incompreensível para as massas”. Uma resposta a um crítico. Que, de camponeses e operários só conheceu dois. E que termina assim:

“Logo: que se eleve a cultura do povo!
Uma só, para todos!
O livro bom e claro é necessário a vós, a mim, ao camponês e ao operário.”

Quanto ao autoconhecimento, o velho e bom conselho, “conhece-te a ti mesmo”, é tarefa pessoal e intransferível , e o Zen Budismo nos diz: “Essas coisas vos são apresentadas e, a partir de agora, tudo vos é dado. Para os inteligentes, uma só palavra bastará para convencê-los da verdade, e, no entanto, o erro já se infiltrou. Tal é o caso quando recorremos ao papel e à tinta, quando nos entregamos a uma demonstração verbal ou às argucias da lógica: A verdade afasta-se mais e mais.

A verdade profunda do Zen pertence a todos. Empenhai-vos em buscá-la em vós mesmos, na profundidade de vosso ser, não tentei alcançá-la pela mão do outro.

Vosso próprio espírito está além das fórmulas. É livre, pacífico e suficiente.” – (Ian-U)


Me encontro na turma dos inteligentes, que aprenderam a ler e a escrever. Que leu muitos livros, viu muitos filmes e que teve um despertar espiritual ao ser resgatado de um fundo de poço por uma destas irmandades de doze passos, aos 47 anos. Mas que está longe de ter encontrado a verdade. Melhor dizendo, não saber o que fazer com ela. E que adoro o budismo como filosofia, mas na prática não sou muito católico, aquele cara que vai à missa diariamente e não pratica o amor ao próximo, como mandam os evangelhos.

Mas todo dia eu busco melhorar. É um exercício diário e não tem como abandonar a academia. Quando aprendemos a aceitar as nossas imperfeições e conhecer nossos limites, começamos a aprender a aceitar o outro. É o primeiro passo para aprender a amar o próximo.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Quando você ignora o Circo, o Show acaba.

O circo chegava à cidade como uma caravana, puxada por uma banda de palhaços cantando, dançando e fazendo palhaçadas, seguida pelos carros que serviam de casa e de transporte do material e pelas jaulas dos leões, tigres e elefantes, as maiores estrelas do espetáculo.

Nas cidades pequenas do interior era o programa de fim de semana, as matinês de sábado e domingo com uma programação para a família  inteira. Os palhaços, os trapezistas, o Domador, o Homem Bala, o Globo da Morte.

Com a chegada da televisão, os circos foram perdendo espaço, perdendo audiência, e o filme Bye Bye Brasil, mostra isso, quando a caravana itinerante chega em uma cidade, e alguém observa: Espinha de peixe. (Antenas de televisão.)

O último circo de que tive notícias foi o do Orlando Orfeu, muito conhecido. A geração mais nova vai citar o Cirque du Soleil, que tem no seu corpo, os melhores artistas do mundo. E tem turnês agendadas em vários países em uma temporada.

A televisão assumiu o papel de levar o circo ao povo, com o sinal sendo levado a muito mais gente em todo o país. E a aldeia se tornou global. E começaram a chegar as séries enlatadas, os programas de auditório, as novelas produzidas aqui com muita qualidade, grandes autores, grandes artistas, programas humorísticos, que captaram corações e mentes de norte a sul do País. E o futebol, a grande paixão nacional, passou a ser transmitido ao vivo e a cores.Um luxo para aqueles que conseguiam no máximo ir a um estádio ver o seu time no campeonato regional.

Mas como não existe almoço grátis, no meio da programação havia uma pausa para os comerciais. Onde os grandes patrocinadores já usando técnicas antigas de venda, conhecidas hoje como Marketing, e utilizando os próprios artistas como garotos/as-propaganda, oferecem de tudo, de utilidades domésticas para as donas de casa, do lar como se diz hoje, e para os homens, bebidas, carros, cigarros, que demorou muitos anos para ser abolido. Precisou o vaqueiro do Marlboro e muitos outros morrer para iniciar uma campanha de utilidade pública.

Com a chegada da Internet, a coisa foi elevada a uma potência impossível de se medir. Todos os limites de moral e bons costumes são ultrapassados em uma via onde o bem é o mal trafegam juntos.

E chegamos naquele ponto sem retorno, onde não podemos mais ignorar o circo. Temos o poder de controlar o controle da TV? Eu tenho o poder crítico de selecionar o que eu quero ver. Já é alguma coisa! As novelas e programas de auditório já não assisto há muito tempo.

E o celular? Consigo ignorar? Consigo viver sem ele? Não! Procuro filtrar os assuntos de meu interesse, mas não dá pra bloquear a enxurrada sistêmica das propagandas. É como enxugar gelo.

Assim como o dinheiro não tem caráter, essas mídias também não tem. Cabe a cada um usar seu celular da maneira mais positiva e produtiva possível.

Por: Adolfo.wyse@gmail.com

A Fidelidade dos Cães

Aqui em volta do prédio, entre a rua Dr. Satamini e as ruas Conde de Bonfim e Haddock Lobo, que se bifurcan no largo da segunda feira (que depois de anos, observei a placa que dizia: Praça Erasmo Carlos. Homenagem da prefeitura ao cantor que morou aqui e fez uma música chamada Largo da Segunda feira.),  circula um morador de rua entre muitos, que tem um cão de estimação, que o segue a toda parte. É um cão de meio porte, com uma cor mesclada de cinza, preto e marrom. É um vira-lata como muitos que nasceram sem conhecer o pai e que cedo aprendeu como todos os animais a se virar. Daí talvez o vira-latas.

A pergunta é: como começou esta relação? Como se encontraram?

Lembrei então que em Porto Alegre,na casa ao lado que era geminada, vivia uma viúva com dois filhos adolescentes e tinham um cachorro, o Cacareco. Que adotou ou foi adotado pelo Zeca, meu irmão gêmeo. E o seguia para todos lados que o Zeca ia, menos aqueles em que era proibida a entrada de Pets, acho que essa palavra nem existia em 1962/3.

A diferença então é de natureza social.
O Cacareco tinha casa, comida e garantia de um banho digno pelo menos uma vez por semana. E quando era parado pela carrocinha, aquele serviço público de recolher animais de rua, com o argumento de que era um serviço sanitário, o Zeca deve ter intervido algumas vezes, garantindo que o Cacareco tinha atestado de residência, bons antecedentes e coisa e tal!

A reflexão me leva a crer, que os cães sabem de um modo misterioso quem escolher. Mesmo os nascidos em berço esplêndido, isto é, em clínicas veterinárias que fazem esses cruzamentos, de animais com pedigree, para obter lucro depois com a venda dos filhotes, mesmo esses, quando chegam em um lar, vão escolher aquele ou aquela que será seu “Humano de Estimação”.

Por: adolfo.wyse@gmail.com