Arquivo mensal: Dezembro 2024

Retrospectiva – Lucros e Perdas

Todo ano, no dia 31, para ser mais preciso, os Bancos fecham para Balanço. Para apurar os lucros e perdas do ano. Receitas menos despesas. A boa e velha matemática. O líquido do bruto. Tudo isso calculado a mão, com a ajuda de máquinas manuais, ( Facit) calculadoras com fita (Olivetti). Até a invenção dos computadores. Nas empresas não é muito diferente. Só muda a terminologia. Fechamento ao invés de balanço. Relatório anual. Quem foi, ou é bancário, contador, sabe do que estou falando.

Mas o inventário que todo mundo faz, independente de classe social, escolaridade, é aquele que vai medir o crescimento pessoal e espiritual de cada um. As coisas boas que fez, aquelas que não fez e as que deixou de fazer. Também está embutido aí, o emocional, que é ao fim e ao cabo, o fiel da balança. Conquistas profissionais, superação de doenças, perdas de entes queridos, familiares e amigos.


“Cada um carrega a sua história”, diz a canção “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira. Assim, os ganhos e perdas são as faces da mesma moeda. Yin e Yang. A moral da história é que a vida não é um jogo de sorte ou azar. Um dia pode acontecer, e acontece de um modo inexorável, para quem não conhece a palavra, significa que todos nós vamos deixar este plano físico, e alguém vai ter que concluir o inventário material.
Escutei durante muitos tempo a expressão: nadou, nadou e morreu na praia. O que, vamos combinar, é muito negativo. Desestimula qualquer paisano a aprender a nadar. A partir de hoje vou trocar por: ninguém morre na praia
!

Por: adolfo.wyse@gmail.com



Do Estilo e outras bobagens.

Talvez o estilo não seja nada mais do que, o modo como um escritor apresenta sua escrita. Alguns com elegância, com as palavras bem vestidas, desfilando em um enredo,
Impecável, com o sujeito e o verbo em boa concordância, com os advérbios em suas respectivas alas e as demais categorias, e aqui, um desfile de escola de samba, é a melhor analogia. Uma história é contada e uma comissão de jurados vai julgar e atribuir uma avaliação, baseada em critérios pré-definidos. Mas assim como em um filme, nem sempre a avaliação da crítica especializada vai coincidir com a avaliação do público, que vai responder lotando os cinemas e criando recordes de bilheteria.

Outros, vão utilizar todos os recursos, usando mesmo de uma linguagem mais suja, nem por isso menos real do que aquela empregada no dia a dia, mesmo por pessoas de um melhor nível social. Escatologias, o palavrão nosso de cada dia. Que inseridos em um contexto não se tornam tão agressivos porque servem para passar uma emoção que não poderia ser expressa com outra entonação.

Todos eles vão encontrar o nicho de seus leitores. Que vão ler, digerir e avaliar, cada um com seus critérios subjetivos, baseados na escolaridade, nível de interpretação de texto e muitas vezes guiados por estes “influenciadores” que estão na moda, em todos os setores culturais, depois que as redes sociais passaram a oferecer as ferramentas, YouTube, Instagram, para qualquer um, se intitular autoridade no assunto, muitas vezes, e já foi denunciado, sem o diploma do 2º grau.

Escreva como você pensa no modo como você fala. Eis aí o seu estilo, pessoal é intransferível, com aquelas naturais variações de humor, produzidas pela natureza, com suas mudanças de estação, e pelas condições de temperatura e pressão que a sociedade, a comunidade, a família, o ambiente de trabalho, exerce diariamente sobre qualquer um, em qualquer hora ou lugar.

Por: adolfo.wyse@gmail.com

Esse tal de distanciamento crítico.

Navegando pelo blog hoje, escolhi um texto que estava na lista dos últimos 10 comentários. Fiquei surpreendido e me perguntei: Fui eu mesmo quem escreveu isso? Me veio então o título, que explica como reagimos diante de um texto, um livro, uma música, um filme, que já lemos, escutamos e vimos.

Acontece que aquela emoção vai ser reproduzida pela razão, o nosso cérebro se encarrega de filtrar e classificar como comida requentada, que vai alimentar apenas o corpo.
A Alma vai ficar esperando uma nova experiência, para que então, o cérebro, sempre ele, produza as morfinas, dopaminas, endorfinas, que vão produzir as emoções de prazer.

É um fato inquestionável. No caso da música e dos filmes, dependendo do nosso estado emocional, imunidade baixa, os anticorpos entram em cena, para restaurar o equilíbrio, e algumas brechas são abertas, e sentimos quase com a mesma intensidade, aquela emoção original.

Vocês sabiam que as lágrimas não derramadas pelos canais lacrimais, se alojam no pulmão na forma de cristais?
Depois que ouvi este diagnóstico, passei a ouvir mais música,   minhas preferidas, que um dia tocaram meu coração, e tem sido uma boa terapia para derreter os cristais.

A música é uma das melhores terapias, usadas em clínicas com pacientes carentes de ajuda psicológica.

Estava sem escrever por mais dias do que eu desejava, e se eu fosse um cronista profissional, destes que tem uma coluna semanal, já teria sido despedido. E nem poderia, como estou confessando a vocês, dizer que a culpa foi de um novo projeto, retomar o interesse pela pintura. Que é também uma ótima terapia, para mentes inquietas como a minha. Claro que um bloqueio criativo, provocado por uma baixa imunidade emocional, (e todos nós temos o nosso calcanhar de Aquiles),  contribuiu também.

Publiquei uma vez no Facebook um texto que dizia: – Sempre que estou meio assim, meio assado, recorro ao meu eterno guru, Dylan. Ele alinha todos os meus eixos.

Escrever é uma ótima terapia também.

Por: adolfo.wyse@gmail.com